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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Crítica Extensiva: Dragon Ball GT - Episódio 2: Eu Sou a Líder! Pan Parte para o Espaço!

Antes de começar com a crítica ao 2º episódio de Dragon Ball GT, tenho de salientar umas coisas que me esqueci de falar no post anterior. Em primeiro lugar, eu escrevo estas críticas extensivas com base na versão original da série. Ou seja, não estou a cobrir a versão dobrada em português nem em qualquer outro idioma que não o japonês. E com isto, é natural que para quem conheça mais a versão portuguesa tenha algumas dificuldades em saber de quais personagens estou a falar, quando os seus nomes foram alterados nas séries anteriores. Por exemplo, em vez de referir uma certa personagem como "Coraçãozinho de Satã", refiro-me a ele pelo nome original, "Piccolo". Em vez de falar do "Hércules", eu prefiro falar no "Satan". E por muito embaraçoso que seja dizer o nome original da "Kika", tenho de ser justo e chamar-lhe "Chi-Chi". O mesmo acontecerá com o nome dos episódios, que é retirado do Dragon Ball Wiki e sujeito a uma tradução da minha autoria.
Em segundo lugar, sendo isto uma crítica extensiva, não posso deixar de parte as músicas da série. E se há coisa que eu não digo mal em Dragon Ball GT é das músicas de abertura e encerramento. A música de abertura Dan Dan Kokoro Hikareteku é fenomenal e traz uma excelente musicalidade que está mais do que à altura devida de uma série deste calibre. Até me atrevo a dizer que a própria abertura é superior à série. A música vem acompanhada com imagens de Goku, Trunks e Pan nas suas aventuras pelo espaço, e tais imagens continuam a ser exibidas até ao fim da série, mesmo sabendo que toda a busca dura até cerca de metade.
Por sua vez, a primeira música de encerramento, Hitori ja Nai também se adapta bem ao ritmo da série, conseguindo encerrar cada episódio com um bom tom, mostrando mais imagens dos nossos heróis pelo espaço, desta vez em momentos mais relaxados.
Com isto arrumado para o lado, eis que vos trago a crítica ao segundo episódio de Dragon Ball GT, intitulado "Eu Sou a Líder! Pan Parte para o Espaço!"

Confesso que este episódio é estranho. Como se não tivessem nenhuma outra ideia para aplicar, os criadores decidiram espetar com as ideias mais estapafúrdias que conseguiram arranjar. Basicamente, este episódio é toda a definição de enchimento de chouriços que conseguirem arranjar. E acreditem... isto ainda é o 2º episódio.
O episódio começa com uma limusina voadora aterrando à entrada da famosa empresa Capsule Corporation, sendo recebida por um grande número de funcionários. Quem sai do veículo não é nada mais nada menos que Trunks, o actual Presidente da empresa.

"Tudo o que sempre quis."
Aparentemente, nesta série, Trunks é um popular presidente da mais conhecida empresa do mundo. E pelos vistos está a fazer um excelente trabalho, já que todo o edifício pára só para o ver passar. Contudo, apesar de estar bem na vida e do respeito e admiração que tem, o jovem não está contente com tamanha responsabilidade, e logo que vê uma oportunidade, esgueira-se pela janela do seu gabinete e diverte-se a voar por entre as nuvens, rumo a um destino incerto.
Entretanto, em casa de Goku, Son Goten está ao telemóvel, combinando um encontro com, segundo a Pan, uma namorada nova. Nada a apontar aqui; no final da série Z, Goten já mostrava ser um Don Juan no que tocava a miúdas. Enquanto isso, Goku, Chi-Chi, Gohan e Videl falam acerca dos preparativos para a viagem pelo espaço numa nave construída pela Bulma. Goku continua de pé atrás quanto à ideia de ir, e até sugere usarem as Dragon Balls da Terra para mudarem todos para outro planeta. Ah, agora já te lembras que elas existem? É só quando convém, não é?
Mesmo assim, Videl e Chi-Chi concordam em que essa deva ser uma medida de último recurso, pois ninguém gostaria de deixar o lugar onde nasceu. Gostava de ver essa dedicação toda por parte das pessoas quando o lugar onde nasceram está em risco de desaparecer. Gohan decide ir com Goku na viagem, e ao saber disto, Pan oferece-se para ir com o pai, sendo recusada por todos, para desagrado da pequena.
Na casa de Bulma, temos o primeiro vislumbre da nave que os vai levar pelo espaço, que, nas palavras de Goku, parece um polvo. Apesar do tamanho considerável, só há espaço para três pessoas.
Entretanto, uma pessoa sai da casa, sendo logo observada secretamente por um estranho homem com um walkie-talkie e uns binóculos. É então que vemos e ouvimos uma descrição da pessoa que esse mesmo homem faz ao seu contacto: cabelo em pé, testa grande e de bigode. Mas que personagem de Dragon Ball encaixa nesta descrição? A sério que agora não estou bem a ver quem...

"Voltei, miúdas! Mais sexy que nunca."
O VEGETA? DE BIGODE? Mas quem foi o imbecil sem amor pela própria vida que se lembrou de dar um bigode a esta personagem? E logo um que o faz parecer uma estrela pornográfica. E aquele cabelo? O que raio de mal se passava com o cabelo dele para que o tivessem de dar um aspecto ridículo? Vá lá que ao menos não tenho nada contra o vestuário... Mas aquele bigode... Ugh!!!
Continuando. Tentando fazer-se de útil, Pan vai ter com Gohan e oferece-lhe ajuda, mas este recusa e diz-lhe para em vez disso ir ter com a mãe. Quando Pan vai ter com Videl, esta diz-lhe para ir ter com o pai. Enraivecida, Pan dá um pontapé na nave, causando o deslocamento de um dos propulsores (creio eu) da nave e uma amolgadela. Depois de ter tão pobremente emendado a amolgadela (colocando uma máquina qualquer a esconder) Pan decide ir dar uma volta, sendo seguida por Goku. Nenhum dos dois se apercebe do estranho homem do walkie-talkie, que aparentemente tem intenções de raptar a filha da Bulma, mas que por incrível que pareça não sabe sequer como ela é, confundindo-a com a Pan. Contudo, essa confusão não é importante porque Pan acaba por se ir embora a voar mesmo quando o homem a ia agarrar, acabando por deitar a mão a Goku. Apesar do chefe dele ficar zangado pelo homem ter capturado um rapaz, ambos os bandidos pensam se o pequeno não será algum filho ilegítimo da Bulma. Ora bem, o facto de haver um rapaz com uma ligação à Capsule Corporation não significa logo que seja familiar ilegítimo dos membros dessa empresa. Pode ser o filho de um funcionário ou de um familiar amigo. Mas estes tipos sabem sequer o que estão a fazer?

"Por favor, menina, eu queria efectuar a devolução deste VHS,
juntamente com esta criança."
O chefe tenta contactar com Bulma e exigir um resgate, mas a chamada cai antes mesmo que ela percebesse o que se está a passar. Enquanto isso, Pan vai visitar o seu avô Satan e desabafa com ele sobre o facto de todos a tratarem como uma criança. E... nada de mais. São cenas que servem apenas para ocupar mais minutos no episódio. Aliás, é sempre mais divertido ver Goku e um dos bandidos andarem na montanha-russa enquanto o outro tenta mais uma vez pedir um resgate. E a quem vai ele telefonar? Ao Vegeta. Escusado será dizer que as ameaças de morte ao pequeno não são levadas a sério, e o Bigodes desliga-lhe o telefone na cara. Por muito divertido que isso possa ser, uma coisa me fez confusão nesta cena: a atitude de Goku. Não estou a falar pelo facto de ele estar a confiar tão facilmente em dois estranhos; já sabemos que ele sempre confiou demasiado nas pessoas. Do que eu estou a falar é do comportamento acriançado dele. Tudo bem que ele agora é uma criança, mas a atitude e a personalidade dele deviam ser inalteráveis. Não é como se as memórias dele como adulto se tivessem perdido quando ele encolheu, ele ainda as manteve. E as experiências que o fizeram um adulto continuam bem vivas, por isso é que mesmo revertendo a uma idade mais jovem ele devia manter a sua maturidade e ter um comportamento mais adulto perante as situações. Detective Conan, por exemplo, teve a mesma premissa, embora em situações diferentes: o protagonista é transformado numa criança pelos vilões, mas a sua maturidade manteve-se. A diferença é que para evitar que a sua verdadeira identidade seja descoberta, ele tem de viver todos os dias como uma criança, comportando-se como uma para não dar nas vistas. Em Dragon Ball GT praticamente toda a gente sabe que Goku é um adulto no corpo de uma criança, logo não há razão nenhuma para ele ter de se fazer passar por uma. Pode não ser fácil dar uma personalidade adulta a uma criança, mas pelo amor da santa, até o Trunks com 8 anos parecia bem mais maduro que o Goku nesta série.
Prosseguindo. Ao fim do dia, os bandidos ainda têm esperanças de conseguir algum dinheiro, mas têm dificuldades em encontrar um telefone. Então Goku, prestável como sempre, apressa-se a carregar uma cabine telefónica pelo ar, aterrorizando os dois bandidos e fazendo-os fugir a sete pés. E nunca mais os iremos ver. É impressão minha ou até agora os únicos vilões de Dragon Ball GT foram ladrões de bancos e raptores? Certamente adversários formidáveis dos nossos heróis e grandes ameaças à paz mundial. Mal posso esperar para ver chegar os carteiristas e os Skinheads.
Entretanto, pela segunda vez, Trunks esgueira-se do seu gabinete para ir voar. E é com isto que me pergunto como raio é ele tão bem sucedido se passa a vida a fugir ao trabalho e aos compromissos. É que ele parece ser uma pessoa respeitável no mundo dos negócios, e com isso tem toneladas de trabalhos para fazer e uma agenda preenchida, mas decide deitar tudo isso para o lado, arriscando a empresa, para se divertir. Claro que essas escapadelas terão de acabar a uma altura, e é nesse mesmo dia que Trunks é apanhado por Vegeta, que não se surpreende com a atitude do filho. É então que descobrimos que a ideia de Vegeta é obrigar Trunks e Goten a acompanharem Goku na viagem pelo espaço, alegando que os dois estavam com falta de treino, e nenhuma das desculpas que os dois dão chega para o demover da sua decisão.

"Venham daí, rapazes. O meu bigode é demasiado bom para uma viagem destas."
É então que finalmente chega o momento da descolagem. Goku, Goten e Trunks estão prestes a embarcar quando o telemóvel de Goten começa a tocar e este fica a atender a chamada enquanto os outros sobem. Enquanto isso, Videl pergunta pela Pan, e Gohan aproveita o momento para apresentar à audiência a filha da Bulma e do Vegeta, a Bra. Lembram-se dela, não se lembram? Passou-nos quase completamente despercebida no final da série Z, e aqui, para que ela não fosse completamente ignorada, decidiram apresentá-la com a roupa mais sensual que lhe conseguiram arranjar. Isso vai compensar pelas cerca de cinco frases que ela vai dizer ao longo da série, não?
Goku e Trunks vão para a sala de controlo da nave (enquanto Goten tenta fazer-se perceber ao telemóvel) e qual não é o espanto deles quando encontram a Pan já lá sentada. E antes que eles se lembrassem de perguntar o que estava ela ali a fazer, a pequena pressiona o botão de descolagem e a nave parte imediatamente em direcção ao espaço, deixando o pobre do Goten para trás. E enquanto os outros olham aparvalhados a nave desaparecer ao longe, uma pequena peça cai aos pés de Bulma, deixando-a alarmada.

Como disse, este episódio foi muito estranho para mim. Ver personagens fora do seu contexto original foi um tanto complicado de engolir, mas tendo em conta que muito tempo se passou desde a série Z, não me posso queixar das mudanças que essas personagens sofreram. Ver o Vegeta de bigode foi uma tortura das grandes, mas felizmente que ele não o vai manter pelo resto da série. As peripécias de Goku com os bandidos não levou a nada, excepto a encontrar uma forma de encher vinte minutos de episódio, à falta de melhores ideias. Há quem se queixe dos fillers das outras séries, mas isto foi ainda mais desnecessário que essas situações.
Na próxima Crítica Extensiva, o nosso Trio Maravilha chega ao seu primeiro destino, num episódio intitulado: "Os Derradeiros Extorçores! Imegga, o Planeta dos Mercadores!"

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