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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Literatura Iletrada - "O Filho de Odin" - 5ª parte

Eu sempre gostei de ler. Contudo, ao longo dos anos, o meu vício da leitura tem oscilado entre o hábito diário e o praticamente semestral. Sim, houve alturas em que eu praticamente negligenciei o meu amor pela leitura em prol de outras actividades não tão benéficas. É por isso que, para recuperar aquilo que me acompanhou durante inúmeras horas na minha adolescência, eu comecei a ler livros cujo tema aborda géneros literários que eu gosto. Por isso, comecei aos poucos a conhecer as obras de Agatha Christie e a acompanhar Hercule Poirot e a Miss Marple nos seus casos, viajei pelos Sete Reinos de Westeros e arredores n'"As Crónicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin, vivi o desespero que o Dr. Victor Frankenstein passou ao longo da sua curta vida no romance de Mary Shelley, juntei-me a Jonathan Harker, Van Helsing, Mina Murray, John Seward, Arthur Holmwood e Quincey Morris na caçada por Drácula, conheci o heterogéneo mundo de Allaryia, criado por Filipe Faria, errei pelas místicas terras de Deltora com Lief, Barda e Jasmine n'"A Saga de Deltora", de Emily Rodda... e li este livro.
Nenhuma obra é perfeita, essa é a dura verdade. Por muita mulher que haja por aí a dizer que "Twilight" ou "50 Shades of Grey" são obras lindas e perfeitas, o que é certo é que são das histórias mais imperfeitas que existem, e a razão para isso é muito simples: são irrealistas. Na vida real, nenhuma mulher se identificaria com a Bella Swann ou a Anastacia Steel, simplesmente pelo facto que têm tanta personalidade como caixas de cartão, e ninguém é assim na realidade.
"Sim, porque haver dragões ou elfos é realista" ripostarão alguns de vós, sarcasticamente. Talvez no nosso mundo não, mas é por isso que a nossa imaginação tem a capacidade de criar inúmeras realidades onde tudo é possível. O que falamos aqui em realismo significa que cada história de ficção tem de obedecer a certas regras para que nos possamos deixar imergir na mesma sem questionar os seus elementos. Personalidades realistas envolvem as características psicológicas das personagens e leva-as a reagirem às diferentes situações consoante o que senso comum dita para cada uma delas. Por exemplo, se uma personagem é um velho carrancudo e solitário que não gosta de receber pessoas na sua casa, a narração não pode ditar que o mesmo velho fica contente quando alguém lhe toca à campainha. Cada um de nós tem uma identidade, algo que nos distingue uns dos outros. Quando uma personagem não mostra ter uma identidade, ela não passa de uma casca vazia, um modelo de puro vazio que não tem capacidade de sair da mesma cepa torta. E se um protagonista é assim, a história não vai passar de um ciclo vicioso que não vai levar a lado nenhum.
Agora, serão as personagens d'"O Filho de Odin" vazias? Como já foi dito em posts anteriores, Jonathan é claramente o author avatar de Zuzarte, e por isso é a única personagem com alguma personalidade desenvolvida, embora mesmo assim o autor muitas vezes se esteja a cagar completamente para o senso comum e adapta a personalidade de Jonathan para as diversas situações. Se a situação pedir por uma acção nobre, Jonathan é nobre. Mas se for preciso, no capítulo seguinte, essa nobreza é logo esquecida e podemos estar a observar um serial killer a ceifar centauros sem sequer se informar quais as suas intenções. Quanto às outras personagens: são apresentadas, vão falando uma e outra coisa e depois ficam esquecidas no meio de toda a adoração às qualidades de Jonathan.
Bem, já chega de dissertação. Há uma crítica a fazer e depois deste ainda tenho onze capítulos para abordar. Oh, eu sinto a minha sanidade mental a escorrer-me do meu enfraquecido ego.

A partir do 10º capítulo já estarei assim.
O quarto capítulo desta montanha-russa da mediocridade literária chama-se "Toledo e Boeürn Seterwind".

"A uns quantos quilómetros de Badajoz, os centauros ainda fugiam pelas planícies até que chegaram a um acampamento onde pernoitava Vhan, o Cavaleiro da Morte."

Então ao início Vhan é conhecido pelo Paladino da Chacina e agora é o Cavaleiro da Morte? O que é que vem a seguir, o Ceifeiro do Desespero?
Esta mudança de nomes para Vhan entusiasmou-me. Vamos ver quantas alcunhas consigo inventar para ele durante a crítica a este capítulo.

"À medida que entravam, a terra apodrecia, tornava-se negra, os animais morriam e serviam de jantar a Gurans."

O que são Gurans, perguntam vocês? Nem o próprio Zuzarte sabe, senão ele tinha colocado uma nota de rodapé a dizer que são criaturas criadas pela flatulência de Drácula. Ou pela sua própria flatulência.

"Não havia tendas, mas havia acólitos das trevas a invocar Zigurates."

Espera aí... Estás a dizer que os tais acólitos invocavam templos antigos do vale da Mesopotâmia?

Armar tendas é para meninos. Vamos mas é invocar uma coisa destas.
O Zuzarte nem se digna a explicar o que são Zigurates, nem a colocar uma nota de rodapé a informar o que são. Nem mesmo o Glossário existente no fim do livro explica a existência de tais elementos. Nem diz o que raio são Gurans. Mas mesmo assim, escusado será dizer que tais criaturas nunca mais irão voltar a aparecer na história.

"O grupo reunia-se à beira de um pequeno penhasco com vista para as planícies, e a observá-las, montado num Pesadelo (Equus Necron Maleficarum), estava Vhan."

Ok, primeiro é dito que Vhan estava a pernoitar, depois é informado que nem havia tendas (se calhar o Campeão da Perdição gosta de dormir ao relento, isso até consigo aceitar) e agora dizem-me que ele está montado num Pesadelo a observar o que se passa? Mas isto faz algum sentido? E alguém me explica como é que no capítulo anterior Vhan está na Roménia com Drácula e Khaltazad e neste ele já está a uns quilómetros de Badajoz? Vão dizer-me que o Pesadelo também comeu feijoada ao almoço e soltou uma propulsão com a velocidade de um F16? É que em nenhuma parte na descrição dos Pesadelos é dito que eles cavalgam a velocidades estonteantes. E sim, há uma descrição, o que prova uma coisa que já sabemos desde a crítica ao primeiro capítulo deste livro: Zuzarte só sabe plagiar.

Ora nem mais. Estes Pesadelos não são nada mais nada menos que os mesmos tipos de criaturas que povoam o universo de Dungeons & Dragons. Isso só mostra que a capacidade imaginativa de Zuzarte é tão fraquinha que a única forma que encontra para descrever seres é indo buscar aos seus hobbies e vícios. Não fazemos ideia do que são Gurans e Zigurates, mas Pesadelos já é mais simples de imaginar, principalmente porque não são originais neste livro.
Bem, os centauros lá se aproximam de Vhan e informam que grande parte da manada foi aniquilada por Jonathan e Kenchi. Esta informação faz com que o Arauto do Morticínio fique enraivecido com a incompetência dos centauros. Mesmo assim, um deles exige o pagamento devido pelo trabalho, o que não faz sentido, uma vez que a missão deles era de matar Jonathan. Então, o Núncio da Hecatombe ordena aos esqueletos arqueiros (invocados por necromantes porque nenhum deles levou um baralho de Uno para se entreterem) para chacinarem por completo os centauros.
Então, os centauros são varados por flechas e os que escaparam são cortados aos pedaços que voam pelo ar e são devorados pelos tais Gurans. Enquanto isso, o Emissário do Massacre ri e bate palmas como um bebé entretido com um show de palhaços.

Assim tipo isto.
Depois de mais uma carnificina de seres fantásticos, o Ginetário da Mortandade elogia o seu exército de Olivias Palitos e pensa em experimentar outra técnica de assassinato.
E a acção salta automaticamente para Jonathan e Cia, já fora da cidade.

"Jonathan tocou uma nota na sua trompa e ajudou Iori a subir (...)"

Ok, nós já sabemos que soprar a trompa de Odin faz aparecer Arthos, mas não ficaria mais bem escrito se houvesse uma passagem que descrevesse a chegada do grifo? Mas que posso dizer? O Zuzarte não presta para escrever.
E é então que chegou a hora de apresentar o novo animal sagrado. Kenchi decide invocar a sua montada que irá acompanhar os nossos heróis na viagem.

" - (Kenchi) O vento sopra de leste. Aparece Daigoro! - depois pegou numa espécie de flauta e tocou uma nota."

Pensavam que me tinha esquecido?
Eis que partículas verdes começam a se juntar até formar "um tigre com dentes de sabre, pele verde às riscas e olhos azuis. O pêlo do animal formava uma espécie de chama esverdeada."

E ele soma e segue.
Antes de continuar, há-que referenciar mais uma descarga de plágio que se encontra aqui. No post anterior apenas disse que Kenchi é uma fotocópia de Kenshi, uma personagem de Mortal Kombat. O que não apontei foi o uso do nome Yojimbo e, introduzido neste capítulo, Daigoro. Depois de uma pequena pesquisa, poderíamos considerar Yojimbo como sendo uma referência ao filme japonês de 1961 com o mesmo nome e realizado por Akira Kurosawa.

Isso até não seria assim tão mau se Zuzarte não mostrasse o quão energúmeno é ao introduzir também o nome Daigoro e ainda por cima o associar a um animal mágico. Isto porque Yojimbo é também uma summon de Final Fantasy, aparecendo pela primeira vez na décima entrada da famosa série de RPG, sendo Daigoro o seu fiel cão.

Se eu tivesse uma espada daquelas chamava-lhe a Ceifeira de Plagiadores.
Então o tigre lá surge, assusta Jonathan quando mostra que sabe falar e até sabe o seu nome e começa uma rivalidade com Arthos.

"- (Arthos) Olha lá, meu velho, tens ar de ser muito rápido.
- (Daigoro) Afirmativo, meu jovem; se eu quiser posso correr a 800 km por segundo ou até à velocidade do som e da luz.
- Ai é?! Então fazemos assim, meu velho senhor: realizamos uma corrida daqui até Toledo; e quem chegar primeiro, ganha."

Ora bem, a distância em linha recta de Badajoz a Toledo são cerca de 275 km. Fazer essa distância a 800 km/s é mais rápido que ir da retrete ao bidé. E sabendo essas informações, o Zuzarte ainda tem o descaramento de afirmar que 800 km/s é a velocidade básica de corrida de Daigoro. É que Arthos e Daigoro andam a fazer a corrida entre as duas cidades, ambos a altas velocidades, e o grifo ainda se consegue colocar ao lado do tigre.
Ora, o Zuzarte pode ser esquecido, mas eu não sou. Disse Arthos que a sua velocidade é a mesma de um F16. A velocidade máxima atingida por um jacto desses é de 2 414 km/h, muito mais lento do que a velocidade máxima de Daigoro. Para além de colocar ambos os animais lado a lado, ainda fazem uma recta final quando se encontram a apenas cinco quilómetros de Toledo. Este Zuzarte é um exagerado nas características que dá às suas personagens e depois ainda nos quer fazer acreditar que algo como esta corrida era possível acontecer. Eu perco a minha paciência com este imberbe.
Então eles lá chegam à cidade.

"Os portões da cidade eram feitos de tijolos vermelho-acastanhados e reforçados de metal negro. As grades eram de madeira de carvalho, fazendo com que o portão fosse muito difícil de destruir."

Mesmo assim, acho que era melhor certificamo-nos de que isso
é realmente verdade.
Chegam todos aos portões da cidade e pedem para os guardas lhes abrirem passagem para a cidade. É então que temos a bela da capacidade do Zuzarte para nos maravilhar com uma descrição detalhada de Toledo em todo o seu esplendor.

"Jonathan, Iori e Kenchi entraram em Toledo, a cidade das espadas e armaduras, toda ela construída de pedras e tijolos; ou seja, os passeios eram feitos de pedra e as casas de tijolo."


Chegam finalmente a casa de Boeürn Seterwind, o paladino de Toledo e tio de Jonathan, e tocam à campainha. Lá vem o mordomo que, ao ouvir o nome de Jonathan, tem logo a recordação do momento em que o rapaz tem um duelo de floretes com Uther aos 10 anos e consegue derrotar o pai.
Sim, claro, vou mesmo acreditar que um puto de apenas 10 anos conseguiu desarmar o paladino do Rei de Portugal. Deves pensar que os teus leitores são tão estúpidos como tu, Zuzarte. Acho que devias parar com a enxurrada de privilégios para o teu protagonistazinho de treta porque há coisas que não fazem sentido absolutamente nenhum.
O mordomo leva os visitantes à presença de Boeürn, e é então que temos direito a uma descrição desta nova personagem.

"Boeürn, na sua aparência, é muito semelhante a Uther, apenas o cabelo deste é preto e a sua armadura é amarela."

Oh... Então Adriana Seterwind casou com um homem muito semelhante ao irmão? Hmm...

Estás a ver, maninha? Não somos os únicos a fazer marotices.
Boeürn então repara em Jonathan, que nesse momento está distraído "a tirar macacos do nariz". Claramente a atitude mais correcta do filho de Odin. Então, para celebrar a chegada do sobrinho, o paladino de Toledo decide fazer um banquete. O mordomo bate palmas e todos os restantes criados, entre eles hobbits, lá começam a preparar a grande festa.
Logo a seguir chega "uma rapariga de cabelo ruivo, orelhas de elfo e com uma cara quase tão bonita como a de Iori (tanta preguiça, Zuzarte, tanta preguiça...)". Quando vê Jonathan, salta-lhe literalmente para cima e aperta-lhe o pescoço.

"- Jonathan, voltaste!!! - gritava ela, contente.
- Gasp... não... conseguir... respirar... morrer... COF... - e Jonathan caiu no chão, semiasfixiado.
Iori, ao ver o que aconteceu, gritou tão alto que até o vidro de uma janela rachou."


Este Zuzarte é mesmo uma peça. Agora está a tentar reproduzir um momento de pura comédia através de elementos de completa palhaçada. Pois é isso mesmo que nós temos durante os parágrafos seguintes, com Iori a ameaçar degolar a nova rapariga, a ruiva a mostrar as suas capacidades de reanimação e a mandar um balde de água fria à cara de Jonathan e Iori a perder as estribeiras quando o rapaz apresentou a rapariga nova como sendo Mace, a sua namorada.
Na verdade, Mace é prima de Jonathan e filha de Boeürn. O facto de ela ter orelhas de elfo poderia remeter para a mãe ser uma elfo que viveria lá em casa, mas como sabemos que as mulheres nas histórias de Zuzarte são seres inúteis que só servem para fazer de depósitos de esperma para os homens, obviamente que nunca iremos saber quem é a mãe de Mace. Com Adriana Seterwind apenas sabemos o nome e que é mãe de Jonathan. Com a mãe de Mace nem sequer temos conhecimento da sua existência.
Finda toda a confusão, que só serviu para encher linhas, Jonathan lá se vai preparar para o tal banquete, entrando no quarto que lhe fora designado. O capítulo termina com a informação que o seu fato de cerimónia encontra-se em cima da cama.
Mais uma vez, Zuzarte apresenta-nos uma cavalgada de inconsistências, narração fraca, descrições inexistentes e, como não podia deixar de ser, plágio a torto e a direito. Por um lado, até me sinto aliviado por ter terminado este capítulo. Por outro, ainda tenho mais onze para analisar e achincalhar à força toda. Ao menos divirto-me a expô-lo como a fraude literária que ele é.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Literatura Iletrada - "O Filho de Odin" - 4ª parte

Em boa verdade vos digo, meus caros leitores: a cada capítulo deste livro mais me admiro como houve alguém, para além do autor, claro, que achou que isto valia a pena ser publicado. Sim, já estou a ser repetitivo, mas quando se faz uma dissecação a uma obra literária, temos tendência a ver a obra que está a ser criticada de uma forma mais detalhada, prestando atenção aos mais pequenos pormenores que numa primeira leitura nos passaram completamente ao lado. Contudo, isto acontece mais quando a obra está muito bem escrita, com uma excelente história, óptimas personagens, diálogos interessantes e por aí fora. Com "O Filho de Odin" isso não acontece. À medida que vou lendo novamente cada capítulo, falho redondamente em encontrar alguma coisa de novo. Não há subtileza, não há esforço, não há um mínimo respeito pelo que está lá escrito. E enquanto o Zuzarte parece mostrar alguns conhecimentos (e foi-me muito custoso escrever "alguns" sem sentir os meus dedos a resvalar para as teclas que soletravam a palavra "nenhuns") de história, geografia, mitologia, entre outros, na verdade ele falha redondamente em aplicá-los, e prefere sobrepor a sua adoração por videojogos, anime, séries e filmes, copiando o máximo possível de elementos e misturando-os, juntando uma pitada de horrenda narração, quase inexistente descrição e fraco diálogo, e criando uma receita tão atroz que só pode dar numa autêntica diarreia literária.


O terceiro capítulo intitula-se "Yojimbo e os Centauros."

"Os poderes de Drácula não param de aumentar. Mais de metade da população do Império Otomano está sob o seu controlo, incluindo turcos, jugoslavos, macedónios, búlgaros, croatas, bósnios e albaneses. Só os gregos, com a ajuda dos deuses do Olimpo, ainda não se converteram aos seus poderes, pois Zeus protege todos os gregos que o adoram."

Uma pergunta, meu caro Zuzarte: esta história passa-se no século XIX ou agora mesmo? É que repetindo o problema do primeiro capítulo, mais uma vez pões-te a escrever no tempo presente, quando devias estar a escrever no pretérito perfeito ou imperfeito, dependendo de como a tua narrativa se desenrolava. É que a escreveres assim, não fazes nenhum sentido e só mostra que não prestas nenhuma atenção ao que escreves e que o que só te interessa é escrever a tua histórinha de treta o mais depressa possível.
E já agora, não fazia ideia que os gregos ainda adoravam os deuses do Olimpo no século XIX. Mas que percebo eu? Na verdade, já que as divindades andam todas por aí, não seria mais simples chamar a este livro "O Filho de Zeus"? Pelo menos assim, Jonathan só precisava de descer o Olimpo e percorrer uma distância menor até à Transilvânia. E pensando bem... tendo em conta a ameaça de Drácula, fazia mais sentido que Jonathan tivesse sido convocado por Zeus, em vez de Odin. Além disso, segundo esta "espantosa" narrativa, o protagonista é descendente de um herói grego (oh, vocês hão-de saber quem), o que fazia muito mais sentido. Mas como os deuses favoritos do Zuzarte são os nórdicos, lá temos nós de levar com 221 páginas de esterco sem qualquer nexo. Enfim...
Neste início de capítulo, Drácula, Vhan e Kalthazad estão no topo de uma torre no castelo de Bran, enquanto esperam que algo aconteça. Eis que no meio de várias nuvens negras surge uma acastanhada, que se transforma "num homem com uma pele de urso vestida, chapéu viking de cornos e com uma bola de crist..."
Esperem aí... Um "chapéu viking de cornos"?

Eis a inspiração de Zuzarte para a descrição.
Tudo isto com apenas cinco minutos de pesquisa, que fariam com que Zuzarte ficasse melhor na fotografia. Mas não. Ele preferiu guiar-se por estereótipos e ainda por cima fazer uma descrição completamente infantil. Chapéu de cornos, francamente...

"Era Loki, o deus trapaceiro, que vinha para advertir Drácula a respeito de Jonathan.
- Mestre Loki, bem-vindo à Transilvânia."

Mais uma amostra da incapacidade que o autor teve de apresentar uma personagem. Obviamente que esta cena ficaria muito melhor se a identidade de Loki tivesse sido revelada por Drácula, criando surpresa para o leitor. Assim, a narração não só extinguiu o suspense como também tornou a revelação ridícula. É este o tipo de narração de alguém que diz que quer lançar muitos livros e ser reconhecido como sendo imprevisível.

"(Loki) Vlad, há quanto tempo! Já passaram trezentos e oitenta e seis anos! E tu não envelheceste nem um...
- Sim, o tempo passa rápido quando se está a dormir, ou melhor... morto.
Os dois riram-se com a piada seca de Drácula. Vhan virou-se para Kalthazad...
- Não percebi.
- Eu também não, mas cala-te - ordenou o necromante."

Vejam lá, até as personagens do livro não percebem o humor fraco do Zuzarte.

"Depois Loki calou-se.
- Cala-te! O sim do riso dá-me a volta ao estômago."

O deus da trapaça a dizer que o riso dá-lhe a volta ao estômago? Este tipo deveria ser dos deuses mais sorridentes de todo o Asgard, e não um bronco carrancudo. E se o som do riso lhe dá a volta ao estômago, POR QUE RAIO ELE SE RIU ANTES? Nem na mesma página o Zuzarte consegue ser coerente com o que escreve.
Loki então fala a Drácula sobre Jonathan e pede ao vampiro que trate de o matar. Drácula lembra a Loki que os deuses são imortais, ao passo que o deus trapaceiro explica, com a sabedoria de um imberbe que não sabe o que está a dizer (tipo o autor do livro), um deus pode ser morto se estiver na sua forma de humano ou animal.
Hmm, isto é muito interessante de saber. Isso significa que quando os deuses se transformam em humanos perdem a imortalidade? Alguém que me explique isso, por favor?

"- (Loki) (...) Se tudo correr bem, eu tomarei o meu lugar entre os deuses, como seu rei."

Hã, Loki, mesmo que Jonathan seja morto, para seres o rei dos deuses, ainda terás de te livrar de Odin primeiro. O sucesso ou fracasso do protagonista não influencia em nada os teus planos de conquista de Asgard.

"Mal terminou esta frase, Loki soltou uma risada e raios choveram do céu."

Isto vindo de um indivíduo que disse que o som do riso lhe dava a volta ao estômago. A sério, eu nem me vou dar ao trabalho...
É então que a acção passa para Badajoz, onde Jonathan continua a dormir na estalagem. Iori chega-se para a cama dele, ainda à espera de ver se dá umas cambalhotas com ele (se bem que, tendo em conta o degradante espectáculo no fim do capítulo anterior, é de admirar que ela ainda queira continuar com um impotente daqueles). É então que Jonathan tem um muito estranho (e também cliché) sonho em que se encontra num prado cheio de flores durante uns momentos, até que tudo é reduzido a destruição, e Drácula apresenta-se. É interessante como é que Jonathan soube que aquela figura era o Senhor das Trevas, sendo que nunca o viu antes.
O rapaz lá acorda todo sobressaltado. Depois de se arranjar, este pensa em fazer uma escala em Toledo, onde o seu tio, de nome Boeürn, lhe poderá oferecer guarida para passar a noite. Mostra-se também um tanto preocupado sobre o modo como iria passar pelos Pirinéus, devido aos sucessivos ataques de gigantes. Bem, eu não sei se Jonathan (vulgo, Zuzarte) se lembra, mas ELE TEM UM GRIFO QUE VOA A GRANDES VELOCIDADES! Por que raio está ele preocupado com os gigantes?

"Jonathan virou-se e viu que Iori continuava completamente nua. Tapou os olhos e virou-se para a janela.
- O que foi? Nunca viste uma mulher nua? - insinuou a rapariga.
- Assim tão nua não.
- Achas que preciso de perder peso? Não sou do teu agrado? - questionou ela enquanto olhava para o seu corpo."

Dedica-te à masturbação, Zuzarte. Pelos vistos,
tens mais jeito para isso do que para escrever.
"- Não, o teu corpo é perfeito, o problema é esse - Jonathan pegou na sua capa e estendeu-a a Iori. - Olha, tapa-te com isto, está bem? Vamos fazer umas compras."


Os dois lá saem da estalagem e vão directamente a uma loja para comprar roupa para Iori e armas para Jonathan. Até parece que Glam e o arco que removeu da estátua de Odin não chegam. Até agora ele desenvencilhou-se bem com o arco, e com a espada não deveria ser muito pior. Por que raio ele precisa de mais armas? E que tal comprar, sei lá... mantimentos?
Antes de entrar numa loja, Jonathan encontrou um muito peculiar indivíduo a pedir esmola. Surpreendentemente, a descrição deste figurante até está bem feita, embora eu não perceba porque é que o Zuzarte teve de a dividir em três parágrafos. Será que ele estava com medo que os leitores achassem a leitura demasiado enfadonha se o parágrafo fosse demasiado comprido?

"Jonathan entrou na loja, mas não conseguia desviar o olhar do estranho. Assim que entraram, uma mulher elfo de cabelos louros veio atendê-los.
- Hola, en que vos puedo ayudar? - perguntou ela.
- Hã! exclamou Jonathan. - Não percebi. fala português?"

Ok, vamos por partes. Lembram-se da primeira parte da crítica a este livro, quando analisei as informações nas badanas e na contracapa? Lembram-se de eu vos ter pedido para se lembrarem bem do facto de que Zuzarte domina várias línguas, entre elas o espanhol? Pois bem, meus caros, aqui está a prova desse mesmo domínio: uma simples frase em espanhol muito mal escrita. Eu também estudo línguas (embora não domine tantas como este "prodígio"), sendo o espanhol uma delas, e quando perguntei à minha professora se a frase estava bem escrita, eis que a resposta negativa confirmou as minhas suspeitas. Ele nem sequer coloca o ponto de interrogação invertido no início da oração, como que a anunciar uma pergunta, como é usado na gramática espanhola. Zuzarte não domina línguas; ele apenas pensa que domina, lá porque sabe algumas bases. A frase ficaria muito melhor se fosse: "Hola, ¿puedo ayudarles?".
Outra coisa que me incomoda nesta cena: a menos que a mulher estivesse a falar com uma batata na boca, COMO RAIO O JONATHAN NÃO PERCEBEU O QUE ELA QUERIA DIZER? Está tudo ali, num "portunhol" horrendo mas fácil de perceber. É quase uma tradução palavra por palavra e que até um não entendedor de línguas conseguia entender. O Zuzarte deve andar a tomar os seus leitores por parvos, só pode.
Enquanto Iori lá escolhia uma roupa, Jonathan vai vendo umas armas e armaduras que lhe interesse, acabando por encontrar uma armadura de Mithril, acabadinha de sair d'O Senhor dos Anéis. O rapaz fica escandalizado quando um vendedor idoso lhe disse que a armadura custava mil pesetas. Mais escandalizado fiquei eu ao ler esta parte. Vejam lá bem que esta história passa-se em 1862 e o protagonista já está a usar uma moeda que só foi introduzida em Espanha em 1869. Mais um completo fail deste alegado escritor.

Só faltava uma nota de rodapé a dizer que Jonathan
tem o poder de cagar dinheiro de épocas vindouras.
Iori lá regressa com uma roupa nova e duas armas novas ("uma espada curta extremamente afiada e um broquel com um rebordo cortante e um espigão no meio. Tinha também a capacidade de disparar o escudo devido a um mecanismo que se encontrava no local da pega. Era também capaz de puxá-lo de volta a uma velocidade muito rápida, como se fosse uma cana de pesca a puxar o peixe para fora de água"). Então, Jonathan, depois de aconselhar Iori a arranjar outra arma para a rapariga andar ainda mais carregada, pergunta ao velhote da loja quem era o estranho que viu antes de ter entrado. O homem responde então que o estranho é um ninja do clã de Iga e que o mesmo podia ser tão ou mais perigoso que um ninja adulto. O porquê de o velhote saber destas informações é completamente desnecessário para a narrativa, pelos padrões do autor pelo menos, mas não para os leitores.
Depois de Iori regressar com um arco e flechas, ambos pagam as compras e saem da loja. É então que, do nada, uma horda de centauros ataca a cidade. E a acção é apresentada de uma forma tão súbita que mal temos tempo para nos apercebermos do que se está a passar. É então que Jonathan, sendo o guerreiro de bom coração que Arthos tanto afirmou que era no capitulo anterior, pega na espada e começa a ceifar "uma quantidade significativa de centauros", tudo no mais atroz português e sem a mais pequena descrição sobre como ele o faz. E da mesma forma como é dito que centauros andam a ser mortos, também a mesma narração fraca e sem descrição diz que Jonathan fica fraco de lutar contra tantos. É então que surge um shuriken atirado sabe-se lá de onde e que mata o centauro que está prestes a trespassar Jonathan. Espera lá... onde é que está a habilidade que o protagonista tem de se transformar em Vidar? Pois...
O ninja entra então na batalha e mostra os seus dotes...

"E todos carregaram sobre o estranho.
- Grande erro... MORRAM! - gritou ele e começou a dizimá-los a uma velocidade estonteante.
Matou cerca de oitenta. Todos eles levaram cortes fatais no tronco mas, em vez de caírem, ficaram imóveis. Quando acabou com a vida do octagésimo centauro, voltou a embainhar a catana, primeiro muito lentamente e depois de uma só vez. Assim que o cabo da lâmina tocou na bainha, todos os centauros morreram de uma vez".

Bem, para além da falta de consistência ao dizer primeiro que matou cerca de oitenta até afirmar que foram exactamente oitenta, ainda tivemos de levar com mais uma pobre descrição acabadinha de sair da mente infestada de cenas de anime onde Zuzarte vai roubar quando não sabe como descrever a cena de uma luta. Originalidade para quê? Vou mas é copiar a cena em que o Trunks mata os homens do Frieza e adaptá-la a um ninja.
O estranho continua a matar centauros a torto e a direito, contribuindo para a extinção de uma bela raça de seres fantásticos (como se a mente psicopata de Zuzarte se preocupasse com isso) até que o khan ("chefe", em centauro, segundo o autor, que, pelos vistos também sabe falar uma língua que não vem na badana e cuja única palavra apresentada tem o mesmo nome que uma personagem de Star Trek) o ataca, sendo parado por uma flecha de gelo disparada por Jonathan.


Onde raio é que ele desencantou uma flecha de gelo? E não me venham dizer que estava na aljava que recebeu depois de ter destruído a estátua de Odin porque essas todas eram de prata, e não se pode mudar as regras das coisas assim do nada. E mesmo que Iori lhe tivesse emprestado as flechas que comprou, em nada a narração especificou que tinham essa capacidade. Isto é mais uma prova de como Zuzarte inventa as coisas à medida que escreve e não tem qualquer respeito pelos seus leitores, esperando que tais erros passem ao lado. Uma coisa que precisas de meter na tua cabecinha, Zuzarte, é que ser-se "imprevisível" não quer dizer "incoerente".

"- (Jonathan) Tu lutas mesmo bem!!! - elogiou.
- O mesmo digo eu de ti, Lusitano - respondeu com uma voz um pouco rouca.
- Posso saber porque estás aqui, em Espanha... e como sabes que eu sou português? - contrapôs Jonathan.
- O teu estilo de luta é único, só um soldado português, com destreza suficiente para manejar tão mal a espada como tu, seria capaz de matar tão poucos centauros (...)"

A sério? Foi assim que soubeste que ele era português? É que eu chegava lá através da pronúncia.
E qual é a ideia do ninja dizer que o Jonathan também luta bem e depois deitá-lo abaixo e criticar negativamente as habilidades de luta? Mas haverá alguma coisa que faça sentido neste compêndio da verborreia?
Pelos vistos, o ninja procura por Jonathan, e ao saber que o seu interlocutor é o próprio, o estranho não fica impressionado e chama-o de rapaz.

"- (Jonathan) Tu vê lá, ó olhos em bico, este rapaz é capaz de muita coisa. E já agora, para que é essa fita? Tens medo de ver o teu aspecto logo de manhã ao acordar? Isso não me admirava nada".

Arrogância e desrespeito. Claramente qualidades de um guerreiro de bom coração...
Mesmo sabendo que o ninja busca Jonathan, e mesmo sabendo que Jonathan não é um ser malígno (devido à capacidade da sua katana de brilhar "quando detecta a energia diabólica ou o mal", uma qualidade muito semelhante a uma certa arma de uma certa série de filmes), o ninja parte para as provocações e desafia-o a um duelo de morte. Jonathan lá continua com a sua arrogância, usando piadas secas e mostrando o seu desrespeito pela cultura japonesa, até que ambos começam a luta. O ninja, uma máquina assassina com grande experiência em luta e muitos anos de treino com as mais variadas armas, contra Jonathan, um puto arrogante e impotente que por alguma razão que ainda não percebi está numa viagem para derrotar Drácula. Se esta história estivesse moderadamente bem escrita, o vencedor não seria muito difícil de saber quem seria. Mas como estamos a lidar com um reles manual de imitações, não é de admirar que Jonathan tenha conseguido derrotar o asiático, enquanto mais uma luta "inspirada" em animes é descrita no mais atroz português.
Apesar do ninja ter pedido a Jonathan para o matar, este não o faz, alegando que se o fizesse ficava igual a ele. Hã, será que nos esquecemos da chacina de centauros que ocorreu há uns minutos? Não será este miúdo já um assassino sanguinário, que salta para batalha sem hesitar e mata sem qualquer problema ou remorso? E que raio de falsa moral tem ele para dizer que ele e o ninja não ganham nada ao lutar um contra o outro até à morte? O raio do puto ACEITOU o desafio sem sequer pensar duas vezes. Este Zuzarte não sabe criar uma personagenzinha que seja com uma personalidade estável e em vez disso adapta a personagem às diversas situações que aparecem usando o caminho mais fácil, mesmo que isso crie inconsistências na personalidade da mesma. É o mesmo que criar uma personagem que é pacifista e colocá-la a lutar em qualquer oportunidade. E o discurso que Jonathan faz quando se recusa a matar o ninja é apenas mais uma das amostras de moral que Zuzarte tão arrogantemente pensa ter. E como todos os falsos moralistas, discursos destes acabam por ser um tiro no próprio pé. Mais uma vez, se ambos não ganhariam nada com uma luta até à morte, por que é que Jonathan aceitou a luta?
O capítulo termina com esta personagem a apresentar-se como sendo Kenchi Yojimbo, a nova aquisição para a equipa, um ninja fotocópia de Kenshi, personagem de Mortal Kombat. Não acreditam? Isto é a Terra do Plágio, tudo é possível.


E para acabar, querem mais uma prova em como Uther Strongheart é realmente o plágio descarado de Uther Lightbringer, o tal paladino dos cavaleiros da Ordem da Mão de Prata? Ora atentem na última fala de Kenchi:

"- Tu és mesmo Jonathan Strongheart, filho de Uther "Mão Prateada" Strongheart!"


sábado, 6 de setembro de 2014

Literatura Iletrada - "O Filho de Odin" - 3ª parte

Meus caros leitores, este é daqueles momentos que eu temo a cada post que escrevo relacionado com este livro, e a razão está no facto de que a cada capítulo, a qualidade da história piora de forma significativa. Não estou a brincar. Se acharam que o primeiro capítulo foi mau, então ainda têm mais catorze níveis que mediocridade que vão piorando cada vez mais, acabando por nos deixar num estado de quase morte cerebral perante tamanha abominação. E eu sei que no post anterior eu disse que não me sentiria assim tão mal se abandonasse a crítica a este livro. E por que não? Outros já fizeram críticas tão ou mais engraçadas e informativas que a minha, o que iria eu acrescentar? Contudo, há alturas em que sentimos um chamamento vindo do nosso interior, uma vontade que se apodera de nós e nos leva a seguir o mesmo caminho que outros, no entanto através de outros meios. E é essa mesma vontade que me impele a criticar, achincalhar e insultar à força toda este pedaço de vergonha literária. Porque a opinião de cada um é subjectiva, e por isso todos podemos ter maneiras diferentes de ver uma mesma coisa, seja ela um livro, um filme, uma série, etc. É por isso que não só eu faço o mesmo que outros fizeram, que é criticar este livro de um ponto de vista pessoal, como também apoio que cada vez mais gente o faça. É interessante ver como as opiniões se dividem, como as pessoas pensam de maneira diferente, como podemos criar debates saudáveis e divertidos, desde que as pessoas aprendam a respeitar as nossas opiniões. Infelizmente, isso nem sempre acontece...


E é com isto que chegamos ao segundo capítulo de "O Filho de Odin", intitulado "O Salvamento."

"Jonathan recuperou os sentidos. Levantou-se e reparou que segurava a trompa de Odin."


Bem, já lhe ouvi chamar muita coisa, mas trompa... Bem, adiante.
Jonathan apercebe-se que está de volta à gruta onde se encontra a estátua de Odin. É então que uma voz lhe pede para destruir a estátua, e quando o rapaz o faz (reduzindo-a a pó com um único golpe de espada, vá-se lá saber como) eis que surge um bonito arco e uma aljava "com mais de cem flechas prateadas." Bem, boa sorte para carregar com essas flechas todas.

"Aproximou-se para pegar no arco, e mal teve tempo para entender o que estava a passar-se, quando sentiu o arco suspenso nas suas costas. Virou-se, e nesse momento uma luz saiu dos escombros. Jonathan voltou-se, de novo, e a luz incidiu directamente nos seus olhos. Sentiu uma dor como se alguém lhe tivesse deitado ácido sulfúrico na vista. Soltou um grito lancinante e, nesse mesmo instante, a dor passou - como se nunca tivesse existido."

Hããã... Alguém me explica o que acabou de se passar?

"O Sol estava quase a pôr-se, deviam ser sete da tarde do dia 26 de Maio. Olhou para as nuvens, agarrou na sua trompa de batalha e soprou. O som propagou-se por toda a planície."

Hããã... Planície? Então ele não estava na gruta? Como raio é que ele foi ali parar? Ele nem questiona onde está nem o que aconteceu? Alguém que me explique o que aconteceu, a sério, antes que me chateie.
Oh, parece que vem aí Arthos, o grifo...

"Io man, cummé! - saudou o grifo."


"Isto é incrível, tenho um grifo ao meu dispor, um arco mágico e acho que a minha visão está dez vezes mais desenvolvida que a das águias e a dos gatos - comentou Jonathan."

Ok, quando é que ficou estabelecido que ele tinha a visão mais desenvolvida? Não havia nada na narração que indicasse que essa capacidade tinha sido desenvolvida. Eu estou mais curioso em saber como raio Jonathan passou de uma gruta a uma planície, assim do nada. Isso é o que o incompetente do Zuzarte não nos sabe explicar. Em vez disso entregou de bandeja ao seu protagonistazinho querido mais um dos muitos poderes que só vão ser úteis enquanto o Zuzarte se lembrar deles.

"- Ah, aquela coisa verde acertou-te nos olhos, não foi? - perguntou Arthos.
- Sim... Como é que sabes?
- É óbvio! Fui eu que a fiz! Aquilo é um feitiço que os grifos desenvolveram, e consiste em dar a visão de um grifo a um aventureiro de bom coração; mas dói imenso.
-E o grifo que deu a visão não fica cego? - questionou Jonathan.
- Nããã... olha para mim, fiz aquele feitiço e continuo muito bem."

Ok, em primeiro lugar não é assim tão óbvio que tenha sido Arthos a criar esse feitiço. Se ele o tivesse feito, nunca teria tido dúvidas que Jonathan tivesse levado com a luz. E em segundo lugar, se tivesse sido mesmo o grifo a fazer o feitiço, nunca na vida o descreveria como "aquela coisa verde." Este diálogo mostra que Zuzarte não pensa na história com antecedência e decide inventar as suas tretas à medida que escreve. O resultado: uma confusão sem sentido.
Ah, e quando Arthos fala que o feitiço dá a visão a um aventureiro de "bom coração..." bem, sabendo o que sei agora, só me apetece rir perante tal mentira. Mais uns capítulos e verão que Jonathan tem tão bom coração como o Hitler.

"Jonathan olhou para o seu relógio de bolso. Eram 19h15, voltou-se para Arthos que observava o céu, fixou-o e sorriu."

Tão, mas tão mal escrita esta segunda frase... Contudo, não é isso que vou reclamar. Se for demasiado detalhista em relação a cada frase mal escrita neste canhenho, vou ter um livro muito maior que o "Storm of Swords." O que quero salientar aqui é a hora apresentada: 19h15. Lembrem-se bem deste pormenor...

"(Jonathan) A que velocidade consegues voar?
- À mesma de um F.16! - disse Arthos."

JÁ ME ESTOU A PASSAR CONTIGO, PÁ!
"- (Jonathan) Isto é fantástico, como é que consegues voar tão depressa? - perguntou.
- Comi feijoada ao almoço, daí a força que vem lá de trás - gracejou o grifo."

EH PÁ F...


AINDA MAL COMECEI E JÁ ESTOU COM VONTADE DE ESPANCAR ESTE PRETENSIOSO IMBECIL QUE TEM A MANIA QUE TEM GRAÇA! AINDA VOU NA 30ª PÁGINA E JÁ ME SINTO COM VONTADE DE TERMINAR ISTO TUDO AQUI E AGORA! NÃO HÁ PACIÊNCIA PARA ESTA PORCARIA DE ESCRITA MAL CAGADA. ZUZARTE, EU MANDAVA-TE PARA UM CERTO SÍTIO, MAS ACREDITO QUE JÁ O CONHEÇAS PORQUE FOI CERTAMENTE ONDE FOSTE TIRAR IDEIAS PARA ESTE DEJECTO MALCHEIROSO QUANDO JÁ NÃO TINHAS MAIS MATERIAL POR ONDE ROUBAR. NÃO PASSAS DE UMA TRISTE IMITAÇÃO DE ESCRITOR QUE SE JULGA O MESSIAS DA NOVA GERAÇÃO!
...
...
...
Ok, já me acalmei, mas não prometo que não volte a ter mais nenhum ataque de raiva destes. Bem, adiante...
Jonathan e Arthos lá vão a voar a grandes velocidades até que se deparam com uma rapariga a ser perseguida por um lobisomem. Se se perguntam como raio eles conseguiram ver tal cena de perseguição sendo que estavam a voar a grandes velocidades, então parabéns, conseguiram acrescentar mais uma pergunta à lista de questões que nunca serão respondidas.
Acontece que o rapaz lá decide salvar a rapariga, e em vez de pedir a Arthos para aterrarem, decide saltar de cima do grifo, assim do nada. E como esperado, cai mesmo em cima do lobisomem, ferindo-o. E será que o nosso herói se magoou na queda? Qual quê? Nem um arranhão, nem sequer uma nódoa negra. Aliás, para provar que a queda não o afectou, ele até dá um salto mortal. Como resposta ao ataque, o lobisomem diz qualquer coisa em worguês, a língua dos Worgs. Worgs? O que é isso? Será alguma raça criada por Zuzarte? Será que depois de tanto plágio, temos direito a uma espécie inédita de...

Pois, já seria de esperar.
Para se defender do ataque da criatura, Jonathan puxa do seu arco e dispara uma flecha contra o seu oponente, mesmo quando este último estava prestes a atacá-lo mortalmente, reduzindo o lobisomem a um monte de cinzas. É então que conhecemos a rapariga que Jonathan salvou do ataque do licantropo. E como esperado numa obra de fantasia medíocre, a rapariga é basicamente uma gaja podre de boa (e ainda por cima japonesa, saída dos sonhos mais húmidos do Zuzarte) e o futuro interesse amoroso/troféu do protagonista. Porque não é preciso ler o livro até ao fim para perceber que os dois vão ficar juntos. Mas também que se pode esperar da "imprevisibilidade" do Zuzarte?
Depois de conseguir convencer a rapariga a ir com eles, seguem os três para Badajoz, e mesmo sabendo que voam a grandes velocidades por planícies e florestas, não chegam logo à cidade, que fica mesmo ao lado da fronteira com Portugal. Em vez disso, decidem parar para descansar.

"Voaram pelas planícies e florestas até que Jonathan pediu para descansarem um pouco, enquanto Arthos fazia uma fogueira. É de salientar que os grifos têm a particularidade de possuírem olhos com raios laser que podem queimar tudo em que tocam."

E é de salientar que esta última frase está incrivelmente mal escrita. Ao lê-la imagino o grifo a buscar um par de olhos já com raios laser ao bolso e a queimar-se assim que tocava neles.
Bem, depois de tentar fazer com que a rapariga comesse e falasse, e depois de um curto diálogo com piadas irritantes de Arthos, ela apresenta-se como sendo Yoshizuki Takamoto, ou Iori.

"(Iori) O meu pai é um senhor do Japão (...)"

Curioso. O meu pai também é um senhor, só que de Portugal. A sério, ela quer com isto dizer que o pai dela é alguém importante no Japão? É que não sei que tipo de função o homem tem, e tratá-lo apenas por "senhor" não é lá muito esclarecedor.

"- (Iori) Uma noite, ouvimos um barulho vindo do seu quarto, quando fomos ver o que se passava... encontrámo-lo... morto... desculpa, mas não consigo continuar... - lamentou-se a chorar.
- A mais mortes Drácula responderá - garantiu o novo amigo, abraçando-a e acariciando-a na cabeça encostada ao seu ombro."

Ok, como sabes que Drácula foi o responsável pela morte do pai de Iori? Isso nunca foi estabelecido nem nunca foi desvendado ao longo da história. E para juntar ao leque de mistérios que nunca vão ser desvendados, que ameaça o pai de Iori representava para a "Grande Figura?" Ele só estava em Portugal para "fortalecer a aliança entre os dois países." E por que é que a morte dele não foi noticiada? Sim, eu sei que muito provavelmente foi noticiada e que provavelmente Jonathan e Uther não souberam disso antes desta viagem, mas não seria muito mais interessante ter essa notícia do que uma sobre o Dr. Frankenstein, que nunca mais será referido no livro? E sendo Iori filha de uma pessoa importante, isso não faria com que ela fosse dada como desaparecida e provavelmente toda a gente andaria à procura dela? Mas não. Todos estes aspectos passaram completamente ao lado de Zuzarte quando escreveu esta bosta. Ele só se importou em inventar uma gaja boa para poder ter em quem pensar enquanto se masturbava do que desenvolver uma personagem interessante e uma história trágica que seria tida em conta ao longo do livro. Em vez disso, o pai de Iori nunca mais será referido.

"A lua cheia brilhava por trás de uma brecha das nuvens; Jonathan olhou para a sua mão direita, depois para a esquerda, e viu pêlo prateado a crescer das suas mãos. Depois, as nuvens voltaram a tapar a Lua e o pêlo deixou de crescer e caiu."

Hããã... Alguém me explica o que acabou de se passar aqui? Jonathan está a transformar-se em lobisomem? Ele foi mordido pelo lobisomem/Worg enquanto lutava com ele? É que isso nunca ficou explícito na narração. Aliás, eu até diria que Jonathan nem na queda ficou ferido, quanto mais durante a luta contra a criatura.

"Jonathan reparou que na sua mão direita os pêlos prateados voltavam a nascer. (...) Jonathan começou a gritar e a levar a mão à cabeça. Orelhas de lobo começavam a crescer e os olhos castanhos tornavam-se azuis. As unhas transformaram-se em garras afiadas como tesouras e duras como aço.
Iori voltou-se para trás para assistir à transformação de Jonathan. Nuvens taparam a Lua e, por pouco, a transformação não se completava."

Mais uma vez lemos uma cena em que Jonathan está prestes a transformar-se em lobisomem. Quando é que ele foi mordido? Alguém me pode explicar o que raio se está a passar? Ah, e julgam que Jonathan vai explicar a Iori o que acabou de acontecer? Bem podem esperar sentados porque ele não esclarece nada... nem ela pergunta o que quer que seja...
Agora, para ser justo, esta transformação vai voltar a acontecer e a história sobre como Jonathan consegue fazê-lo vai ser contada pelo próprio. Mas como todas as coisas inventadas à toa por Zuzarte, essa situação só vai acontecer apenas uma vez...

No, I'm not, motherfucker!
"Minutos mais tarde, chegaram a Badajoz. Nenhuma luz brilhava na cidade espanhola. Nem uma."

E aqui está, senhoras e senhores: a brilhante capacidade descritiva de Zuzarte. Isto acontece bastante durante o livro inteiro. Já sabíamos que Zuzarte não tem qualquer tipo de originalidade naquele cérebro de ervilha, e a prova está na quantidade de plágio que já vimos até agora. E tal como uma pessoa que não sabe ser original, não tem capacidade imaginativa suficiente para poder descrever uma cidade, e por isso apenas diz coisas vagas que não contribuem para que consigamos imaginar como é a localidade onde as personagens estão. Não estou a dizer que quero parágrafos longos, que descrevem tudo ao maior pormenor, mas ao menos que nos dê uma ideia de como é a estrutura da cidade, tipos de casas, monumentos ou edifícios conhecidos, coisas assim. Por favor, Zuzarte, deixa de ser um preguiçoso e esforça-te um bocadinho!
É então que os nossos heróis chegam a uma estalagem chamada Javali Negro.

"Lá dentro, a estalagem estava repleta. Humanos, anões entre eles, halflings (hobbits), gnomos e elfos, todos coabitavam pacificamente."

Valha-me a santa. Assim nunca mais saímos daqui... Mais uma vez a frase está mal escrita. Para ficar bem, uma das formas como podia ficar seria: "Humanos, anões, halflings (hobbits), gnomos e elfos conviviam entre si pacificamente." E sim, "conviviam." Sim, eu sei que estavam numa estalagem e que é um lugar onde se pode pernoitar, mas o verbo coabitar é mais usado num sentido de partilhar o mesmo espaço de habitação, como se todas aquelas espécies estivessem a viver na mesma casa. Neste caso, estavam todos num espaço de convívio, logo não fazia sentido dizer que todos coabitavam.

"- Bom dia! - saudou o estalajadeiro, acumulando catarro e escarrando para o chão.
- Bom dia?! São oito da noite - espantou-se Jonathan."

Lembram-se quando vos pedi para se lembrarem da hora que estava no relógio de bolso de Jonathan, antes deste e de Arthos terem partido? Exacto, 19h15. Agora, chegados a Badajos, sabemos que se passaram quarenta e cinco minutos. Isso significa que eles "voaram até ao anoitecer", salvaram Iori do lobisomem, voaram por planícies e florestas, pararam para descansar, jantaram, rapaz e japonesa ficaram a conhecer-se melhor, voltaram a levantar voo e chegaram a Badajoz EM MENOS DE UMA HORA. Bem, temos aqui um novo recorde para o Guiness. Ou isso ou o Zuzarte não presta mesmo atenção ao que escreve. Eu fico-me pela segunda opção.

"O homem deu-lhe a chave com o nº 66, e conduziu-os ao quarto. Subiram as escadas até ao 3º andar e foi-lhes indicada a porta com o nº 69.
- Bem, boa noi... - susteve-se, reparando no número. - Só um segundo. - E inverteu o 9.
- Peço desculpas, o nº 6 desta porta está sempre a cair. Como eu ia a dizer, boa noite."

And this, folks, has been...


Jonathan e Iori entram no quarto e, com alguma surpresa, devo dizê-lo, o quarto até que não foi mal descrito. O rapaz abre a janela e contempla a cidade iluminada pelo luar, e quando se vai a virar dá de caras com Iori, despindo-se. Ele fica logo embaraçado e desvia o olhar, acabando por sugerir sair para a deixar mais à vontade. Mas ela pede-lhe para ficar.

"Jonathan voltou-se e esperava que ela já tivesse vestido uma camisa de dormir. Mas estava enganado; em vez disso, viu Iori em tronco nu. Perante a imagem ficou paralisado a olhar para ela e para o seu peito.
- Que foi? - perguntou ela.
- Wkrstksft - articulou ele, encantado com tanta beleza física.
Ela deu uma risadinha perante a cara de Jonathan e depois levantou-se. Estava completamente nua. Tinha o corpo de uma mulher adulta, embora não possuísse nem idade, nem altura.
(...)
- Veste alguma coisa, por favor - pediu ele, nervoso.
- O quê?
- Não tens outra roupa para vestir?
- Não. Além disso, gosto de dormir nua - disse cruzando os braços e sorrindo."

Valha-me Odin... Eu não sei o que é pior: se é reduzir uma personagem com uma história trágica a uma simples rameira que se entrega a qualquer um, se é do pobre coitado que vê ali uma gaja nua à frente, a atirar-se a ele sem pedir nada em troca, e não aproveitar. Eu tenho desprezo por autores que criam personagens apenas para servirem de troféus para os seus protagonistas. Neste momento, é isso que Iori é: apenas um objecto sexual tirado das mais húmidas fantasias de Zuzarte. O pai dela morreu? Que interessa isso, ela tem enormes seios. Ela nem se lembra mais dele durante o resto da história, nem tenta saber quem foi que o matou. Não, Zuzarte achou por bem transformá-la numa cadela com o cio, que se esfrega constantemente em Jonathan. E como Jonathan é o author avatar do próprio Zuzarte, já sabemos no que isto vai dar.

Acima: o Zuzarte enquanto escrevia esta cena.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Literatura Iletrada - "O Filho de Odin" - 2ª parte

Eu estou com algum medo, caros leitores. Certamente que já repararam que desde outubro do ano passado que não lanço mais nenhum post da rubrica "Crítica Extensiva" que, neste momento, visa dissecar e criticar toda a série de Dragon Ball GT. Apenas nove episódios dos sessenta e quatro foram abordados e eu tenho muito medo de não conseguir terminar a série. Porque apesar das suas muitas falhas, Dragon Ball GT tinha os seus pontos positivos, e apesar de não ser considerado por muitos como uma parte da história original, não podemos ignorar a sua existência e o impacto que teve em nós. Por isso quero continuar a assumir a responsabilidade de explorar a série e apresentar-vos os meus pensamentos acerca da mesma. A série não ficou esquecida; eu é que fui demasiado preguiçoso para a continuar.
"Mas que tem a 'Crítica Extensiva' a ver com a 'Literatura Iletrada?'", perguntam vocês. Bem, tendo em conta que decidi pôr a minha resistência mental à prova e achincalhar cada capítulo do livro citado no título deste post, posso dizer que esta rubrica, apesar do seu nome, também podia ser considerada uma crítica que se vai estender por vários posts, uma vez que são quinze dolorosos capítulos da mais pura mediocridade literária. E explorá-los novamente, depois de ter lido este monte de esterco de uma ponta a outra, vai ser uma prova de fogo à minha sanidade mental. Contudo, ao contrário do que acontece no caso da "Critica Extensiva" a Dragon Ball GT, eu não me sentiria assim tão mal se abandonasse de repente a crítica a esta amostra de livro. É que eu prefiro ver o 10º episódio de Dragon Ball GT repetidamente durante um mês (e em breve vocês hão-de saber do que estou a falar) do que voltar a pegar neste pedaço de bosta e lê-lo.

Sim, é muito pior que isto...
Comecemos então a dissecação. Este primeiro capítulo chama-se "O Encontro".

"Estamos no século XIX, em 1862, em plena floresta. Nas imediações de uma enorme clareira, está a realizar-se uma espécie de celebração satânica."

Uma coisa que eu muito reparei durante a leitura deste livro é que Zuzarte gosta muito de usar a expressão "uma espécie de", quando se vê na necessidade de descrever algo. E como preguiçoso e não original que ele é, prefere apenas mostrar-nos que aquilo que se está a passar é "uma espécie de" qualquer coisa. Será que vou ter de instalar aqui "uma espécie de" contador?

"Os acólitos e uma espécie de padre demoníaco entram no castelo, levando uma carroça puxada por bestas horrendas."

Eu avisei.

"Enquanto isso, na torre mais alta decorre um ritual para a encarnação do Mal - Drácula de seu nome."

Bravo, Zuzarte. A tua originalidade é mesmo impressionante. Nunca me ocorreria um vilão tão pouco usado e tão pouco conhecido. Não é como se ele não tivesse já aparecido em filmes, séries, videojogos... A sério, Zuzarte, a cada linha surpreendes-me cada vez mais pela negativa. E ainda estamos na primeira página.

"Estão trinta acólitos a rezar, cinco banshees (homo fata maeora) a entoar um cântico diabólico (...)"

Este é outra das demonstrações de pseudo-intelectualidade de Zuzarte. Sempre que uma criatura fantástica é referida pela primeira vez, ele tem a bondade de nos gratificar com uma designação em latim mal cagado, como se fosse um grande entendido naquilo que escreve. Escusado será dizer que falha redondamente.

"(...) um imponente necromante - trajado com uma bata vermelha, duas facas de sacrifício, um capacete em forma de crânio de dragão, um ceptro em que a ponta termina numa vela negra envolvida por uma serpente e asas de morcego - a segurar nas suas mãos o lendário Livro dos Mortos.
(...)
- Sou Kalthazad, necromante da 1ª Ordem de Loki e Set, encarregado de o ressuscitar."

Bem, eu não posso dizer que sou grande entendido em Warcraft... até porque nunca joguei (e muito envergonhado me sinto por isso, devo dizê-lo). Contudo, depois de explorar a Internet e encontrar outras críticas a este livro, acabei por descobrir que Kalthazad, essa figura brilhantemente descrita por Zuzarte, não é nada mais nada menos que o nojento plágio de Kel'Thuzad, personagem de Warcraft III - Reign of Chaos.

Voltem a ler a descrição e olhem para a imagem.
Este Zuzarte devia ter vergonha.
E querem uma prova em como Zuzarte rouba à descarada não só personagens de jogos mas também diálogos? Atentem bem na primeira coisa que o Senhor das Trevas diz depois de ser ressuscitado:

"- (Drácula) Esperei por este momento para voltar a nascer, banhar-me com a escuridão e sentir o luar no interior - revela, enfático, o homem."





As duas imagens acima são o início do jogo Castlevania: Circle of the Moon, lançado para Game Boy Advance em 2001. Como podem ver, o vilão deste jogo, para além de partilhar exactamente o mesmo nome e aparência do cavalheiro no livro ("(...) um homem de meia-idade, com longos cabelos brancos, cara pálida, e dois grandes caninos a saírem da boca"), a primeira coisa que ambos dizem coincide a 100%. Pensavas que te escapavas desta, Zuzarte?
Drácula lá é ressuscitado, há uma apresentação rápida e antes que mais algum desenvolvimento entre a "Grande Figura" e o necromante se dê, um "jovem de longos cabelos louros, envergando uma armadura azul e empunhando um martelo" entra na sala. As mesmas críticas que li informaram-me que este magnífico cavaleiro de nome Vhan, o paladino de Hélio, não passa de mais um plágio descarado de Arthas Menethil, também personagem de Warcraft III.

Mas será que esta história alguma vez vai ter uma personagem original?
E como Zuzarte é tão burro, ele ainda teve o descaramento de referenciar o jogo Warcraft III na página dos agradecimentos, juntamente com várias séries, filmes e jogos onde ele foi claramente roubar conteúdo para esta monstruosidade. Muito obrigado por nos facilitares o trabalho ao dizeres onde foste buscar inspiração para esta porcaria de história, Zuzarte.
E querem saber uma coisa? A avalanche de plágio ainda não acabou. Vhan prepara-se para atacar Drácula, mas este apenas estende a mão e lança-lhe um feixe de luz que o atinge e o transforma "num cavaleiro com uma armadura negra. O seu aspecto jovem desaparece, o cabelo louro é, agora, um manto branco, e o martelo transforma-se numa espada com uma lâmina feita de gelo inquebrável."

Desde a primeira página que o Zuzarte nem faz um esforço.
É então que, com um novo servo do seu lado, Drácula ordena às suas criaturas que ataquem a Roménia inteira e aniquilem todos os seus habitantes. Com o tempo, a Roménia ficou conhecida como "A Terra Negra." Na verdade, a maior parte do Império Otomano ficou sob o controle de Drácula. Somente os Gregos, o povo favorito do Zuzarte, obviamente, estão a salvo graças aos deuses do Olimpo.
Com isto, saltamos para um país chamado Portugal, "livre da escravidão de Drácula", onde vive um jovem adolescente de quinze anos chamado Jonathan Strongheart, o protagonista da história. E, meus amigos, tudo, absolutamente tudo neste protagonista faz-me ter vontade de estrangular o Zuzarte. Como este menino não tem capacidade de criar um protagonista sem defeitos, ele acabou por oferecer a Jonathan todas as belas qualidades que se lembrou. Assim sendo, Jonathan é atlético, com um cabelo prateado que não é muito comum, rico, com uma mansão no cume de uma colina de Lisboa, mesmo perto do Castelo de S. Jorge, descendente de Sigurd, o herói dos Nibelungos... E acreditem que isto não é nada. Absolutamente nada.
Se há coisa que eu odeio numa personagem é quando ela tem demasiadas virtudes e nenhum defeito. Ninguém é perfeito, e todos nós cometemos erros devido aos nossos defeitos, vindo a aprender e a desenvolver como pessoas. Isso também pode (e tem de) acontecer numa boa história, para que saibamos nos relacionar com as personagens e sentir as dificuldades e os dilemas que passam de forma a tornarem-se pessoas melhores ou piores, dependendo da resolução final. Quando uma personagem tem demasiados atributos positivos ela torna-se numa Mary Sue, ou, neste caso, um Gary Stu.
Continuando. Os pais deste jovem prodígio são Adriana Seterwind, uma mulher que pouco ou nada fala (e há-que salientar que para o Zuzarte, as mulheres são apenas elementos sem personalidade que só servem como troféus das personagens masculinas. E a prova disso está na personagem de Adriana Seterwind, se é que podemos chamar-lhe de personagem), e Uther Strongheart, paladino do rei de Portugal e herói internacional. E já que estamos numa de roubar nomes e personagens a Warcraft, que tal explorar de onde vem o nome Uther?

Quanto é que apostam que aquela não é mesmo a arma dele no livro?
Ora nem mais. Uther Strongheart não é nada mais nada menos que o plágio de Uther the Lightbringer, o primeiro paladino da Ordem dos Cavaleiros da Mão de Prata. Não vos vou maçar com pormenores desta personagem (até que poderão explorá-la um pouco mais na Wiki de World of Warcraft), mas posso adiantar que Uther foi uma importante personagem nos jogos, sendo até o mentor de... Arthas Menethil.
Continuando com a contínua descarga de privilégios para a família Strongheart, Uther encontra-se a tomar o "tradicional" chá das cinco enquanto lê o Times. Pelos vistos, os ataques do Drácula vêm no jornal, juntamente com a notícia de que várias sepulturas foram profanadas (sabe-se lá onde; pelos vistos o Zuzarte ainda escreve pior notícias do que histórias) e que a polícia desconfia de um cientista chamado Victor Frankenstein. Isto até seria minimamente interessante se o dito cientista ainda aparecesse neste livro. Qual quê? Despeçam-se da referência ao Dr. Frankenstein, pessoal. Ele não entra nem é mais referido nesta história. Agora pergunto-me: será que o Zuzarte alguma vez leu "Frankenstein" de Mary Shelley?
Enquanto isso, Jonathan está a ler Charles Dickens, mas não toma chá porque acha a bebida insípida. Bem, eu sou bem capaz de apostar o meu testículo esquerdo em como Jonathan não é nada mais nada menos que o próprio Zuzarte, como este se imagina numa história fantástica. É que só neste parágrafo temos algumas informações demasiado pessoais, principalmente numa história em que a caracterização de personagens é incrivelmente fraca. Jonathan odeia chá porque acha a bebida insípida; não gosta do professor de Matemática, que diz que cheira a cavalo; o seu doce favorito é arroz-doce (como iremos ver mais lá para a frente); odeia presunto e diz que é como mastigar uma meia suada. Todas estas informações pertencem apenas ao protagonista, e não temos tamanho conhecimento deste tipo de características por parte das outras personagens. Isto porque o Zuzarte é tão fraco a desenvolver personagens, que a única forma que encontra de construir uma é juntando características suas.
Continuando com esta bosta: nessa noite, Jonathan vai dormir e automaticamente sonha com um homem zarolho que apenas chama o rapaz de Vidar. Este fica surpreso e vai logo ter com o pai para lhe contar o que sonhou.

"- Ei, pai, tive um sonho muito esquisito: sonhei com um homem que dizia que eu era Vidar, ou algo assim e...
- Sim, eu sei - responde-lhe Uther -, também sonhei com esse homem. Ele disse-me para tu partires, pois és o escolhido.
- Escolhido??? - interroga Jonathan, espantado e meio curioso.
- Sim... Bem, vai para a cama, que amanhã é um grande dia para ti - aconselha o pai virando-se para o outro lado e cobrindo-se.
- Espera, tens de me explicar o que significa tudo isto.
- Ainda não é tempo... e se eu te explicasse, isso só te traria ansiedade; mais tarde saberás a razão dessa escolha. Agora tens de arrumar as tuas coisas para poderes partir amanhã."

Valham-me os céus. A inconsistência... a incoerência... a confusão... a preguiça...

"O drama... a tragédia... o horror..."
As perguntas que eu tenho só neste pedacinho de diálogo... 1º - Por que raio Jonathan e Uther sonharam com o mesmo homem? 2º - Se Jonathan é o escolhido, então por que é que essa informação foi passada a Uther? 3º - Por que raio Uther não responde às perguntas do filho e lhe diz que se explicasse alguma coisa, isso lhe traria mais ansiedade? É que se nada for explicado na hora, aí é que o rapaz fica mais nervoso. 4º - Por que é que num momento Uther manda Jonathan deitar-se e logo a seguir o manda arrumar as coisas? 5º - Como é que houve alguém que achou que esta porcaria de história valia a pena ser publicada?
Então no dia seguinte, lá vai Jonathan sozinho num comboio, sabe-se lá para onde, e com ele leva apenas uma carteira com dinheiro, uma bússola e uma espada... Mais nada? Nem umas mudas de roupa, uma merenda para comer pelo caminho, nada? Bem, para quem é rico, este Jonathan tem uma família de somíticos.
O rapaz lá sai na estação onde o pai lhe disse para sair ("qual estação?" perguntam vocês? Deixem-se de piadas; até parece que estão a ler uma boa história) e mete-se logo por uma gruta adentro, sem razão aparente para além de curiosidade. E acaba por encontrar assim sem mais nem menos a estátua do homem zarolho que lhe apareceu no sonho. E como se não bastasse, assim que toca na estátua, o nosso herói é logo transportado para o palácio dos deuses nórdicos, Valhalla. E tudo isto sem que Zuzarte nos explique o que raio se está a passar aqui.
Em Valhalla, Jonathan é saudado por Odin, o zarolho que lhe apareceu no sonho, e ao ver o ar confuso do rapaz, o governador de Asgard decide transformá-lo "num homem de cabelo loiro, orelhas pontiagudas, calças de couro, botas de chumbo (?), uma máscara semelhante à de um carrasco com uma abertura nos olhos para ele poder ver (NO SHIT, SHERLOCK!), um par de luvas com um lápis-lazúli em cada uma e duas facas gigantes amarradas à cintura."

"- Já sabes quem és? - questiona o homem. - És Vidar, o deus desaparecido, e eu sou o teu pai Odin - anuncia, então.
Vidar olhou para as mãos e depois para o corpo."

E aqui está uma mostra da incompetência de Zuzarte enquanto escrevia este pedaço de excremento. Caso não tenham reparado nos excertos que apresentei até agora, a história estava a ser contada no tempo presente, como se estivéssemos a acompanhar o protagonista ao longo da aventura. Vários autores fazem isso, e apesar de me parecer arriscado, devo confessar que quando bem aplicado, tal abordagem resulta muito bem. O que acontece aqui é que, do nada, Zuzarte passa a escrever no tempo passado, sem qualquer razão aparente. Tal mudança mostra que Zuzarte não está atento ao que escreve, nem faz um mínimo esforço para rever e corrigir a porcaria que defecou para o papel. E pior que isso é saber quem nem o Sr. António Tavares, o responsável pela revisão literária, foi competente o suficiente para evitar um erro tão estúpido como este. Bem, tendo em conta como o resto da história está escrito, eu diria que a única coisa que esse senhor fez neste livro foi colocar lá o seu nome.
Para celebrar o regresso de Vidar, Odin manda organizar um grande banquete com todos os deuses e Einherjars. Há uma grande festa, com deuses a falar e a engasgarem-se com comida e a fazerem palhaçadas... Coisas típicas de deuses sérios.

"Pouco depois, já o banquete tinha começado, Odin levantou-se e começou a falar:
- Meus caros amigos, filhos, filhas e deuses, estamos aqui para festejar o regresso de Vidar, que esteve ausente durante muitos anos - seguiu-se uma grande salva de palmas.
- Depois do Ragnarok, ele tomará o meu lugar em Gimli, o novo Valhalla (...)"

Espera lá. Gimli? GIMLI?

"Bring your pretty face to my axe, Zuzarte."
Bem, antes que me enerve e destrua tudo à minha volta, é melhor continuar.

"Odin levantou-se, bateu palmas e, de seguida, as velas apagaram-se e dois anões trouxeram uma máquina de slides."

UMA MÁQUINA DE SLIDES? EH PÁ...

Acima: a minha sala depois da leitura do primeiro capítulo.
Diz a nota que rodapé que segundo o autor, "no mundo dos deuses tudo é possível, incluindo as tecnologias das épocas vindouras." A sério, Zuzarte, dedica-te à pesca. Não tens um pingo de originalidade nesse teu cérebro de pombo, és um plagiador descarado e não mereces o ar que respiras. Muitos jovens com muito mais talento que tu dariam tudo para que as suas obras tivessem a divulgação que as tuas tiveram. Inúmeros aspirantes a escritores cujos trabalhos poderão nunca ver a luz do dia porque imbecis como tu e editoras sedentas de dinheiro preferem lucrar com nomes conhecidos, sem se preocuparem com a qualidade daquilo que está escrito. A Gailivro devia ter vergonha na cara por permitir que este aborto literário tivesse sido publicado.
Adiante. Odin conta então a Vidar a história de Drácula e como ele foi ressuscitado, só que a máquina de slides avaria por uns momentos, acabando Thor por a colocar a funcionar.

"- Obrigado, Thor. Agora, voltando ao que interessa... - Odin ligou a máquina e uma imagem de uma mulher despida, com um chapéu de palha, foi projectada na parede. - Errrr... desculpem... este... este é o slide errado - disse ele. Depois voltou a mudar para a iluminura de Drácula."

Meu Deus... Primeiro tivemos plágio, depois falta de consistência, depois falta de originalidade e agora temos humor do mais fraco que alguma vez li. A sério, não imaginam o quanto Zuzarte tenta ser engraçado mas que falha de tal maneira que acaba por ser triste.
Depois de toda esta palhaçada, e de Vidar ter aceite a sua missão de acabar com Drácula, o protagonista prepara-se para partir na sua demanda. Heimdall, o deus-sentinela, oferece-lhe um corno, e o rapaz sopra-o, fazendo surgir dos céus um grifo.

"- Alguém me chamou? - perguntou o grifo.
- Este é Arthos Silverfeather, príncipe dos Ares - apresentou Odin.
- Io man, saudações aqui dos bosses de Asgard e minhas - proclamou o animal."

Não. Eu não aguento mais isto. Só faltavam abordar mais algumas linhas, mas eu estou farto de tanta bosta, e a paciência de uma pessoa tem limites. Eu sabia que me ia enfurecer ao escrever esta crítica, mas não pensava que uma dissecação destas me punha os nervos em franja. E ainda vamos no primeiro capítulo. Não, eu desisto por hoje, antes que destrua outra casa.

Ah, se eu te apanhasse agora, minha besta...

terça-feira, 29 de julho de 2014

Literatura Iletrada - "O Filho de Odin" - 1ª parte

Eu estou chocado, caros leitores, muito chocado. Há já algum tempo que eu tenho pensado em escrever este post dedicado a um dos piores livros que alguma vez li, mas a dúvida se o deveria fazer invadia-me constantemente. Contudo, a minha vontade de achincalhar este pedaço de excremento literário sobrepôs-se às minhas dúvidas, e com isso planeio dissecar e esquartejar com toda a minha fúria o livro citado no título.
Contudo, o motivo do meu choque não está apenas no livro em causa, embora esse seja o primeiro motivo. Lá nos idos de 2011, quando o The Writer's Lair ainda mal passava de um recém-nascido no mundo da Internet, surgiu uma rubrica que tinha o objectivo de "atacar" todas as peças literárias que manchavam o bom nome da literatura. Fossem más histórias, desrespeito profundo pela Língua Portuguesa, cá estávamos para apontar o dedo e mostrar o quão maus esses livros eram. A ideia não passou do primeiro livro (cuja crítica literária nunca foi terminada, ainda), mas isso não significava que a rubrica estava morta antes sequer de ter nascido. Já diz o ditado: "antes tarde que nunca.," e após um hiato de três anos, esta rubrica está de volta e desta vez bem escrita.
Sim, bem escrita, porque o segundo motivo do meu choque está na minha enorme ignorância. Queria eu armar-me em grande entendedor da Língua Portuguesa e acabei por dar um tiro no meu próprio pé. Que credibilidade tenho eu em criticar uma obra literária e apontar todos os defeitos e problemas na escrita quando eu mesmo sou incapaz de escrever "Iletrada" como deve ser? Sim, porque na minha presunçosa imbecilidade eu escrevi não um, não dois, mas três posts desta rubrica e chamei-lhe "Literatura ILITERADA." ILITERADA? Que moral mais falsa eu tinha naquela altura. Estava ali eu, um jovem de 23 anos, mostrando aos meus leitores que era muito entendido em literatura e acabo por dar um erro ao nível de um concorrente da Casa dos Segredos (embora eu duvide que algum deles conheça o significado da palavra "iletrado", mesmo todos eles o sendo). Como poderei recuperar a minha credibilidade? Como conseguirei fazer com que este post seja lido por muita gente quando os meus erros do passado vão lançar sobre os meus leitores um véu de incerteza que provavelmente os vai levar a não querer ler esta publicação. Como é que...

Ok, ok...
Bem, vamos então começar com isto.
"O Filho de Odin." Se há expressão que defina este livro, essa expressão é, sem dúvida nenhuma, "matéria excrementícia." Há muito tempo que não lia algo tão mau, e embora "Inocentemente Eu" seja uma leitura chata, incrivelmente mal escrita, irrealista e presunçosa (entre outros adjectivos e definições), o que é certo é que esse livro em nada bate "O Filho de Odin" em termos de divertimento. Oh sim. Ambos os livros são do mais puro desrespeito para com a Língua Portuguesa e completos abortos literários que nunca deviam ter visto a luz do dia.

A expressão "escolhe com sabedoria" não se aplica neste caso.
Contudo, se o meu objectivo é o mais puro divertimento, misturado com algumas doses da mais pura raiva, então "O Filho de Odin" é a escolha certa. Foi escrito pelo "prodígio" João Zuzarte Reis Piedade, um jovem que tão pretensiosamente mostra possuir muitas qualidades mas que insiste naquela na qual não presta para nada. Se lermos a badana do livro, encontramos "interessantíssimas" informações sobre este autor:

"Estuda Teatro, Línguas, Literaturas e História."

Ainda mal começámos com a história do livro e já estou a apanhar com problemas que mais tarde vão ser endereçados durante a crítica a este monumento à iliteracia. Reparem que ele estuda Línguas e Literaturas. Lembrem-se bem disso.

"Passa grande parte do seu tempo a escrever, mas nunca trabalha sem música."

E eu que julgava que grande parte do seu tempo era passado a estudar Teatro, Línguas, Literaturas e História, para além das outras actividades que serão referidas daqui a pouco. Isso explica porque é que há uns anos, quando este jovenzinho foi com a mãe a um programa de televisão, a senhora (que já era bastante conhecida e que até falou mais que o próprio Zuzarte, mesmo sabendo que toda a entrevista era sobre o livro dele) lembrou-se de dizer que o Zuzarte não é tão bom aluno como o outro filho.


"Heavy Metal, Rock sinfónico, Power Metal ou Dragonforce marcam o ritmo."

Ao menos o miúdo tem gosto quanto a música.

"Ideias fervilhantes povoam-lhe o imaginário. Partilha-as através da escrita."






*Rebola no chão de tanto rir*
Bem, ainda nem virei a página e já encontro motivo para me "esbardalhar" a rir com tamanha mentira. Agora é que eu quase que estou tentado a dizer que quem escreveu isto até foi o próprio Zuzarte, mas não o vou fazer... Até porque já o fiz...

"O ginásio e as artes marciais que pratica têm uma missão: quer ser reconhecido como um escritor da nova era, jovem e imprevisível."

Ok, o que é que eu acabei de ler aqui? Isto não faz o mínimo sentido. Como é que o ginásio e as artes marciais o vão tornar num escritor da nova era? Será que quanto mais pesados forem os halteres melhor escritor se torna? E já que ele estuda Teatro, Línguas, Literaturas e História, e ainda vai ao ginásio e ainda pratica artes marciais (no plural, o que significa que gasta tempo a praticar mais do que uma), COMO RAIO ELE PASSA A MAIOR PARTE DO TEMPO A ESCREVER? Alguém que me explique isso? É que lá porque ele não respeita as regras da Língua Portuguesa, não significa que ele consiga desafiar as leis do tempo e aumentar o número de horas do dia. E qual é a ideia do "imprevisível"? Em parte é verdade porque há coisas neste livro que surgem do nada e não fazem sentido absolutamente nenhum. Por outro lado, esta história está tão pejada de clichés e de plágio que o termo "imprevisível" acaba por ter menos valor que uma moeda de um cêntimo.

"Domina a Língua Portuguesa, Inglesa, Alemã, Francesa, Espanhola, Italiana e Dinamarquesa. Fala também a Língua Negra do seu livro."

Bem, temos aqui um poliglota. Alguém lhe devia dizer que conhecer o básico de cada uma destas línguas não é o mesmo que dominá-las. Mais uma vez, lembrem-se bem desta informação, vai ser útil lá mais para a frente.
Já agora, a Língua Negra, que ele tão orgulhosamente diz que fala, NUNCA é referida em todo o livro! Valham-me os céus, é como se o Zuzarte quisesse mostrar que é um grande entendido em línguas ao fazer referência a um idioma e a afirmar que o domina sem sequer nos dar a honra de nos presentear com algumas palavras, um pequeno guia básico de pronunciação, algumas regras gramaticais. Apenas fala a Língua Negra... e é tudo. Vai aldrabar para outro lado, Zuzarte!

"Deseja lançar muitos livros de forma a incitar o público mais jovem a ler."

Com um nível de escrita como o teu, não seria de admirar que cada vez menos jovens lessem livros.

"Mais tarde, escrever, realizar e dirigir o filme do seu livro."

Sim, é como a frase está escrita, sem qualquer sujeito. E eu que julgava que realizar e dirigir um filme eram a mesma coisa. Claramente não estou preparado para a grande capacidade literária deste prodígio.
Bem, tirando a data de nascimento e onde ele estudou, tudo o resto supracitado foi publicado numa das badanas da capa. Na outra badana temos a sinopse do livro.

"Cruzando lendas e superstições, Jonathan, um jovem paladino de quinze anos, inadvertidamente, abre a porta para uma dimensão intemporal e mitológica, entrando no glorioso mundo dos deuses."

E é nesta parte em que, depois de ter lido o livro, apetece-me arrastar o Zuzarte pelas orelhas até uma estrebaria e forçá-lo a recolher dejectos de cavalo com cada uma das páginas desta porcaria de livro até ele aprender a não ser tão mentiroso. Jonathan, o suposto herói da história, não abre nenhuma porta para outra dimensão. Tudo o que acontece no livro, toda a mitologia, criaturas, deuses, está no nosso mundo, como se o planeta Terra se tivesse tornado na própria dimensão intemporal e mitológica.

"Recebe de Odin, pai dos deuses nórdicos, a missão de destruir o mal que se espalha por toda a Europa. Encarnando a figura de Vidar, filho de Odin, Jonathan conduz-nos por locais misteriosos..."

Outra mentira. Jonathan apenas nos leva por cidades conhecidas da Europa e o Zuzarte falha redondamente em fazer uma descrição minimamente aceitável das mesmas.

"...enevoados, desprovidos de vida ou imensamente povoados de criaturas ameaçadoras..."

A maior parte das vezes, as criaturas ameaçadoras é que invadem os locais onde ele se encontra. Mais uma mentira. Vou ter de instalar um Contador de Mentiras nesta rubrica?

"...sempre na demanda do Senhor do Mal, o Conde Drácula."

E aqui está, senhoras e senhores, a imprevisibilidade deste jovem "escritor." O grande mal que assola a nossa Europa não é nada mais nada menos que um dos vilões mais clichés de sempre. Onde está a originalidade deste jovem prodígio, meus senhores?

Isto é o que acontece a quem espera por alguma originalidade
da parte de algum trabalho vindo do Zuzarte.
Mas antes de abrir o livro e mergulhar na matéria excrementícia que fede a cada página, há-que ver o que é dito na contra-capa. Que os céus nos acudam, isto é o que eu mais odeio num livro: três figuras públicas a elogiar o "magnífico" trabalho deste imberbe plagiador e desrespeitador da nossa Língua Portuguesa. Três figuras públicas que nos tentam lançar areia para os olhos ao mostrar que estão impressionados com a escrita dele, quando nem devem sequer ter lido uma página que seja do livro. Ruy de Carvalho escreve uma excelente dedicatória, devo admiti-lo, no entanto sem mostrar que leu o trabalho do Zuzarte, o que chega a ser triste.
Rui Veloso apenas mostra a sua admiração por um jovem de 14 anos ter escrito um livro. Nem é caso para tanto, Rui. Se fizeres uma pesquisa rápida, vais reparar que houve vários autores mais jovens que também escreveram e lançaram livros. Daisy Ashford, por exemplo, escreveu o The Young Visitors com 9 anos. Flavia Bujor escreveu "A Profecia das Pedras" com 12 anos. E isto são apenas dois exemplos entre vários. Mas mesmo assim, e tal como na dedicatória do Ruy de Carvalho, Rui Veloso mostra que também não deve ter passado os olhos por uma frase que fosse do livro, já que ele diz que o Zuzarte "estudou, trabalhou e aplicou-se horas sem fim." O que, julgando pela qualidade deste excremento literário, não houve qualquer estudo ou trabalho.
Por fim, temos Pedro Granger, o único dos três que parece que leu o livro e o único dos três que talvez devesse melhorar os seus hábitos de leitura, embora não possamos esperar outra coisa de alguém que caracteriza a escrita do Zuzarte como "FABULÁSTICO!" Claramente o Sr. Granger nunca leu uma obra fantástica em toda a sua vida, ou saberia que nenhum dos seres fantásticos e personagens são claramente produto da imaginação defeituosa do Zuzarte.
No fim de contas, "O Filho de Odin" não passa de uma fraca tentativa de deixar marca no mundo literário, e que tal nunca seria possível se Zuzarte não fosse filho de quem é. Claramente a publicação deste livro passou por cima de todos os processos que tornam a publicação possível, entre esses processos a revisão do texto e a correcção de erros. "O Filho de Odin" é o produto de um jovem que viu o seu sonho realizado antes mesmo de poder reflectir nas consequências do que a sua escrita poderia trazer. Muitos jovens de 14 anos sonham em escrever e publicar um livro e não têm a mesma oportunidade. Mas talvez seja pelo melhor, porque com a idade e o trabalho duro vem a experiência e o aperfeiçoamento do nosso trabalho. Zuzarte não teve direito a isso. Os seus papás viram-no a defecar a primeira carrada de infantilidades e sonhos molhados e (sem compreenderem o que raio estava ele a escrever, ou provavelmente porque percebem ainda menos de literatura do que ele) decidiram que havia ali um prodígio a ser revelado ao mundo. E em vez de nos surgir um excelente escritor, com novas ideias e a imprevisibilidade referida na badana, aparece-nos um jovem cujo ego foi absurdamente alimentado pela ignorância de gente que se serviu da sua posição social para "atropelar" outros excelentes autores que gostariam de ter as suas obras publicadas depois de muitas horas de trabalho e dedicação (muito mais que o próprio Zuzarte). Um jovem cuja arrogância ainda cheira pior que a porcaria que escreve, um petiz que acredita ser o salvador de uma faixa etária que dedica cada vez menos tempo à leitura, mas que só está a contribuir para o mau nome da literatura portuguesa. Este livro é um exemplo daquilo que nunca se deve fazer, e o Zuzarte tornou-se num exemplo vivo de um autor que não foi bem acompanhado e que se julgou um Messias da literatura devido a mentes ainda mais ignorantes que a dele. Temos, portanto, um Christopher Paolini português.

Vejam bem o que é que o poder das cunhas faz.
Tenho pena de ti, Zuzarte. Muita pena mesmo.