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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Crítica Extensiva: Dragon Ball GT - Episódio 2: Eu Sou a Líder! Pan Parte para o Espaço!

Antes de começar com a crítica ao 2º episódio de Dragon Ball GT, tenho de salientar umas coisas que me esqueci de falar no post anterior. Em primeiro lugar, eu escrevo estas críticas extensivas com base na versão original da série. Ou seja, não estou a cobrir a versão dobrada em português nem em qualquer outro idioma que não o japonês. E com isto, é natural que para quem conheça mais a versão portuguesa tenha algumas dificuldades em saber de quais personagens estou a falar, quando os seus nomes foram alterados nas séries anteriores. Por exemplo, em vez de referir uma certa personagem como "Coraçãozinho de Satã", refiro-me a ele pelo nome original, "Piccolo". Em vez de falar do "Hércules", eu prefiro falar no "Satan". E por muito embaraçoso que seja dizer o nome original da "Kika", tenho de ser justo e chamar-lhe "Chi-Chi". O mesmo acontecerá com o nome dos episódios, que é retirado do Dragon Ball Wiki e sujeito a uma tradução da minha autoria.
Em segundo lugar, sendo isto uma crítica extensiva, não posso deixar de parte as músicas da série. E se há coisa que eu não digo mal em Dragon Ball GT é das músicas de abertura e encerramento. A música de abertura Dan Dan Kokoro Hikareteku é fenomenal e traz uma excelente musicalidade que está mais do que à altura devida de uma série deste calibre. Até me atrevo a dizer que a própria abertura é superior à série. A música vem acompanhada com imagens de Goku, Trunks e Pan nas suas aventuras pelo espaço, e tais imagens continuam a ser exibidas até ao fim da série, mesmo sabendo que toda a busca dura até cerca de metade.
Por sua vez, a primeira música de encerramento, Hitori ja Nai também se adapta bem ao ritmo da série, conseguindo encerrar cada episódio com um bom tom, mostrando mais imagens dos nossos heróis pelo espaço, desta vez em momentos mais relaxados.
Com isto arrumado para o lado, eis que vos trago a crítica ao segundo episódio de Dragon Ball GT, intitulado "Eu Sou a Líder! Pan Parte para o Espaço!"

Confesso que este episódio é estranho. Como se não tivessem nenhuma outra ideia para aplicar, os criadores decidiram espetar com as ideias mais estapafúrdias que conseguiram arranjar. Basicamente, este episódio é toda a definição de enchimento de chouriços que conseguirem arranjar. E acreditem... isto ainda é o 2º episódio.
O episódio começa com uma limusina voadora aterrando à entrada da famosa empresa Capsule Corporation, sendo recebida por um grande número de funcionários. Quem sai do veículo não é nada mais nada menos que Trunks, o actual Presidente da empresa.

"Tudo o que sempre quis."
Aparentemente, nesta série, Trunks é um popular presidente da mais conhecida empresa do mundo. E pelos vistos está a fazer um excelente trabalho, já que todo o edifício pára só para o ver passar. Contudo, apesar de estar bem na vida e do respeito e admiração que tem, o jovem não está contente com tamanha responsabilidade, e logo que vê uma oportunidade, esgueira-se pela janela do seu gabinete e diverte-se a voar por entre as nuvens, rumo a um destino incerto.
Entretanto, em casa de Goku, Son Goten está ao telemóvel, combinando um encontro com, segundo a Pan, uma namorada nova. Nada a apontar aqui; no final da série Z, Goten já mostrava ser um Don Juan no que tocava a miúdas. Enquanto isso, Goku, Chi-Chi, Gohan e Videl falam acerca dos preparativos para a viagem pelo espaço numa nave construída pela Bulma. Goku continua de pé atrás quanto à ideia de ir, e até sugere usarem as Dragon Balls da Terra para mudarem todos para outro planeta. Ah, agora já te lembras que elas existem? É só quando convém, não é?
Mesmo assim, Videl e Chi-Chi concordam em que essa deva ser uma medida de último recurso, pois ninguém gostaria de deixar o lugar onde nasceu. Gostava de ver essa dedicação toda por parte das pessoas quando o lugar onde nasceram está em risco de desaparecer. Gohan decide ir com Goku na viagem, e ao saber disto, Pan oferece-se para ir com o pai, sendo recusada por todos, para desagrado da pequena.
Na casa de Bulma, temos o primeiro vislumbre da nave que os vai levar pelo espaço, que, nas palavras de Goku, parece um polvo. Apesar do tamanho considerável, só há espaço para três pessoas.
Entretanto, uma pessoa sai da casa, sendo logo observada secretamente por um estranho homem com um walkie-talkie e uns binóculos. É então que vemos e ouvimos uma descrição da pessoa que esse mesmo homem faz ao seu contacto: cabelo em pé, testa grande e de bigode. Mas que personagem de Dragon Ball encaixa nesta descrição? A sério que agora não estou bem a ver quem...

"Voltei, miúdas! Mais sexy que nunca."
O VEGETA? DE BIGODE? Mas quem foi o imbecil sem amor pela própria vida que se lembrou de dar um bigode a esta personagem? E logo um que o faz parecer uma estrela pornográfica. E aquele cabelo? O que raio de mal se passava com o cabelo dele para que o tivessem de dar um aspecto ridículo? Vá lá que ao menos não tenho nada contra o vestuário... Mas aquele bigode... Ugh!!!
Continuando. Tentando fazer-se de útil, Pan vai ter com Gohan e oferece-lhe ajuda, mas este recusa e diz-lhe para em vez disso ir ter com a mãe. Quando Pan vai ter com Videl, esta diz-lhe para ir ter com o pai. Enraivecida, Pan dá um pontapé na nave, causando o deslocamento de um dos propulsores (creio eu) da nave e uma amolgadela. Depois de ter tão pobremente emendado a amolgadela (colocando uma máquina qualquer a esconder) Pan decide ir dar uma volta, sendo seguida por Goku. Nenhum dos dois se apercebe do estranho homem do walkie-talkie, que aparentemente tem intenções de raptar a filha da Bulma, mas que por incrível que pareça não sabe sequer como ela é, confundindo-a com a Pan. Contudo, essa confusão não é importante porque Pan acaba por se ir embora a voar mesmo quando o homem a ia agarrar, acabando por deitar a mão a Goku. Apesar do chefe dele ficar zangado pelo homem ter capturado um rapaz, ambos os bandidos pensam se o pequeno não será algum filho ilegítimo da Bulma. Ora bem, o facto de haver um rapaz com uma ligação à Capsule Corporation não significa logo que seja familiar ilegítimo dos membros dessa empresa. Pode ser o filho de um funcionário ou de um familiar amigo. Mas estes tipos sabem sequer o que estão a fazer?

"Por favor, menina, eu queria efectuar a devolução deste VHS,
juntamente com esta criança."
O chefe tenta contactar com Bulma e exigir um resgate, mas a chamada cai antes mesmo que ela percebesse o que se está a passar. Enquanto isso, Pan vai visitar o seu avô Satan e desabafa com ele sobre o facto de todos a tratarem como uma criança. E... nada de mais. São cenas que servem apenas para ocupar mais minutos no episódio. Aliás, é sempre mais divertido ver Goku e um dos bandidos andarem na montanha-russa enquanto o outro tenta mais uma vez pedir um resgate. E a quem vai ele telefonar? Ao Vegeta. Escusado será dizer que as ameaças de morte ao pequeno não são levadas a sério, e o Bigodes desliga-lhe o telefone na cara. Por muito divertido que isso possa ser, uma coisa me fez confusão nesta cena: a atitude de Goku. Não estou a falar pelo facto de ele estar a confiar tão facilmente em dois estranhos; já sabemos que ele sempre confiou demasiado nas pessoas. Do que eu estou a falar é do comportamento acriançado dele. Tudo bem que ele agora é uma criança, mas a atitude e a personalidade dele deviam ser inalteráveis. Não é como se as memórias dele como adulto se tivessem perdido quando ele encolheu, ele ainda as manteve. E as experiências que o fizeram um adulto continuam bem vivas, por isso é que mesmo revertendo a uma idade mais jovem ele devia manter a sua maturidade e ter um comportamento mais adulto perante as situações. Detective Conan, por exemplo, teve a mesma premissa, embora em situações diferentes: o protagonista é transformado numa criança pelos vilões, mas a sua maturidade manteve-se. A diferença é que para evitar que a sua verdadeira identidade seja descoberta, ele tem de viver todos os dias como uma criança, comportando-se como uma para não dar nas vistas. Em Dragon Ball GT praticamente toda a gente sabe que Goku é um adulto no corpo de uma criança, logo não há razão nenhuma para ele ter de se fazer passar por uma. Pode não ser fácil dar uma personalidade adulta a uma criança, mas pelo amor da santa, até o Trunks com 8 anos parecia bem mais maduro que o Goku nesta série.
Prosseguindo. Ao fim do dia, os bandidos ainda têm esperanças de conseguir algum dinheiro, mas têm dificuldades em encontrar um telefone. Então Goku, prestável como sempre, apressa-se a carregar uma cabine telefónica pelo ar, aterrorizando os dois bandidos e fazendo-os fugir a sete pés. E nunca mais os iremos ver. É impressão minha ou até agora os únicos vilões de Dragon Ball GT foram ladrões de bancos e raptores? Certamente adversários formidáveis dos nossos heróis e grandes ameaças à paz mundial. Mal posso esperar para ver chegar os carteiristas e os Skinheads.
Entretanto, pela segunda vez, Trunks esgueira-se do seu gabinete para ir voar. E é com isto que me pergunto como raio é ele tão bem sucedido se passa a vida a fugir ao trabalho e aos compromissos. É que ele parece ser uma pessoa respeitável no mundo dos negócios, e com isso tem toneladas de trabalhos para fazer e uma agenda preenchida, mas decide deitar tudo isso para o lado, arriscando a empresa, para se divertir. Claro que essas escapadelas terão de acabar a uma altura, e é nesse mesmo dia que Trunks é apanhado por Vegeta, que não se surpreende com a atitude do filho. É então que descobrimos que a ideia de Vegeta é obrigar Trunks e Goten a acompanharem Goku na viagem pelo espaço, alegando que os dois estavam com falta de treino, e nenhuma das desculpas que os dois dão chega para o demover da sua decisão.

"Venham daí, rapazes. O meu bigode é demasiado bom para uma viagem destas."
É então que finalmente chega o momento da descolagem. Goku, Goten e Trunks estão prestes a embarcar quando o telemóvel de Goten começa a tocar e este fica a atender a chamada enquanto os outros sobem. Enquanto isso, Videl pergunta pela Pan, e Gohan aproveita o momento para apresentar à audiência a filha da Bulma e do Vegeta, a Bra. Lembram-se dela, não se lembram? Passou-nos quase completamente despercebida no final da série Z, e aqui, para que ela não fosse completamente ignorada, decidiram apresentá-la com a roupa mais sensual que lhe conseguiram arranjar. Isso vai compensar pelas cerca de cinco frases que ela vai dizer ao longo da série, não?
Goku e Trunks vão para a sala de controlo da nave (enquanto Goten tenta fazer-se perceber ao telemóvel) e qual não é o espanto deles quando encontram a Pan já lá sentada. E antes que eles se lembrassem de perguntar o que estava ela ali a fazer, a pequena pressiona o botão de descolagem e a nave parte imediatamente em direcção ao espaço, deixando o pobre do Goten para trás. E enquanto os outros olham aparvalhados a nave desaparecer ao longe, uma pequena peça cai aos pés de Bulma, deixando-a alarmada.

Como disse, este episódio foi muito estranho para mim. Ver personagens fora do seu contexto original foi um tanto complicado de engolir, mas tendo em conta que muito tempo se passou desde a série Z, não me posso queixar das mudanças que essas personagens sofreram. Ver o Vegeta de bigode foi uma tortura das grandes, mas felizmente que ele não o vai manter pelo resto da série. As peripécias de Goku com os bandidos não levou a nada, excepto a encontrar uma forma de encher vinte minutos de episódio, à falta de melhores ideias. Há quem se queixe dos fillers das outras séries, mas isto foi ainda mais desnecessário que essas situações.
Na próxima Crítica Extensiva, o nosso Trio Maravilha chega ao seu primeiro destino, num episódio intitulado: "Os Derradeiros Extorçores! Imegga, o Planeta dos Mercadores!"

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Crítica Extensiva: Dragon Ball GT - Episódio 1: As Misteriosas Dragon Balls Aparecem! Goku Volta a Ser Criança?

Quem não gostava de Dragon Ball quando cá estreou em Portugal? Quem era o petiz que não delirava com as aventuras de Son Goku e seus amigos na sua incessante luta contra as forças do mal? Vamos ser francos: não era para qualquer um, mas o anime foi um sucesso tal que gerou um culto de seguidores no mundo inteiro. Aqui, até universitários faltavam às aulas para ver Dragon Ball. Naquele tempo, havia um carinho e uma dedicação a esta série que hoje em dia já não se vê. Quando o último episódio de Dragon Ball Z deu na televisão, foi difícil acreditar que aventuras tão épicas tinham terminado. Foi o adeus a uma série que muito nos fez sonhar e muito nos ensinou. Claro que ao longo dos anos, os filmes e os episódios se repetiram vezes sem conta, mas já sabíamos que tudo aquilo tinha um fim, e era sempre doloroso quando o sentíamos aproximar-se.
Por isso o meu ânimo quando vi na televisão o anúncio do primeiro VHS de Dragon Ball GT.


A minha excitação sobrepôs-se à minha dúvida (por que estariam a lançar Dragon Ball GT em VHS em vez de o passar na TV?) e não descansei enquanto não pusesse as mãos na mítica cassete com a capa totalmente em preto, só mesmo se destacando o nome da série e nada mais, como que tentando não expôr nada que estragasse a surpresa.

"How much more black could this be?
And the answer is... none. None more black."

Mal eu sabia que ao comprar aquele VHS estaria a arriscar a minha crença numa das maiores séries de todos os tempos.
Acontece que só muito depois é que descobri que esta série não tinha sido criada pelo Mestre Akira Toriyama, e isso explicou muita coisa: a fraca história, as personagens fora de personalidade, os estranhos vilões, o número de episódios... E é exactamente no número de episódios que esta série mais me desiludiu.
O Dragon Ball original tem 151 episódios, e a série Z tem quase o dobro. GT tem... 64. E isto sem contar com o OVA que se passa 100 anos depois e que contradiz com coisas que acontecem na própria série.
Nestes posts, irei fazer uma crítica extensiva a cada um dos episódios de Dragon ball GT, resumindo-os e fazendo uma análise da história, das personagens, basicamente de tudo e mais alguma coisa. Cada post será de um episódio, e espero que não levem as minhas críticas a mal. É que sei que andam por aí fãs que adoram esta série.
Iniciemos então a crítica ao primeiro episódio, intitulado: "As Misteriosas Dragon Balls Aparecem! Goku Volta a Ser Criança?"

O episódio começa com a chegada de umas estranhas personagens ao palácio de Dende enquanto algo de muito estranho se está a passar no templo sagrado. Fortes explosões anunciam uma tremenda batalha que está a ocorrer entre Son Goku e Uub, como parte do treino que o primeiro tinha prometido no final de Dragon Ball Z. A luta é intensa e quase destrói o templo, mas isso não impede que as três estranhas personagens invadam-no, trepando incessantemente até ao topo... o que não faz quase sentido nenhum, uma vez que eles tinham voado até ali e em vez de sobrevoar o templo e aterrar num sitio mais seguro, decidem trepar pelos lados, sujeitos a levar com uma explosão em cima... o que acontece.
É então que descobrimos quem este trio é: nada mais nada menos que Pilaf e os seus dois capangas Mai e Shu. Lembram-se deles, quando eram vilões menores em Dragon Ball? Pois parece que eles voltam nesta série, e com o peso dos anos mesmo visível nos seus rostos. Os planos deles não mudaram desde as últimas vezes, pois os seus objectivos passam por encontrar as Dragon Balls de estrelas negras que se encontram escondidas nas profundezas do templo...
Esperem lá: Dragon Balls de estrelas negras?

Andavam eles à procura das outras, quando podiam ter tido estas logo todas juntas...
Certamente que todos vocês se lembram que as Dragon Balls que conhecemos têm estrelas vermelhas. Então de onde surgiram estas? Bem, segundo as pesquisas de Pilaf, estas Dragon Balls foram criadas antes da separação do Kami e do Piccolo Daimaoh, quando o seu poder estava no auge. "Por que raio elas não foram mencionadas antes", perguntam vocês? Sabe-se lá; os criadores desta série necessitavam de um plot device. 
Com uma facilidade tremenda, Pilaf e os outros encontram estas relíquias, e em vez de as levarem para longe do templo, decidem invocar Shenron logo ali, mesmo sabendo que cinco minutos antes estava a acontecer uma batalha tremenda que os podia dizimar num segundo.

Nem precisam de fazer facepalm. Ele fá-lo por vocês...
Entretanto, Goku e Uub terminam o treino, e o rapaz despede-se e decide regressar a casa. Depois de mais uma farta refeição, Goku decide partir também, até que vê uma luz estranha vinda de onde o Pilaf e os outros estão. Pilaf consegue chamar o Ultimate Shenron (que não é o dragão verde que estamos acostumados a ver na série, mas sim um vermelho... a única diferença entre ambos), mas quando se prepara para pedir o seu desejo, eis que a chegada de Goku o interrompe. Ao início, Pilaf não o reconhece, mas não demorou muito até se lembrar de todas as vezes que o nosso herói lhe estragou os planos. Num acto de raiva, Pilaf demonstra o quão gostaria que Goku fosse como a criança de antes para o poder esmagar como um insecto. O dragão entendeu isso como um desejo e em segundos transforma Goku numa criança, trazendo um dos maiores problemas de Dragon Ball GT. Esta foi a melhor coisa que os criadores desta série conseguiram arranjar para dar continuidade a um dos melhores animes de sempre? Pegar no nosso herói e fazer dele uma criança? Não é que ele já estivesse demasiado velho para continuar; a luta contra o Uub provou que ele encontra-se em plena forma. Eu consigo pensar em milhares de formas de continuar uma magnífica história destas, e não é necessário criar outras Dragon Balls, nem tornar ninguém criança. Enfim...
Após o "desejo" ter sido concretizado, o dragão vermelho desaparece, espalhando as Dragon Balls por todos os lados. E é aqui que dizemos adeus à gangue do Pilaf, pois eles não mais vão aparecer nesta série (tirando uma cena mais à frente). Belo desperdício de personagem.
Ao saber do sucedido, Kaio-Sama explica que a única forma de Goku voltar a ser adulto é reunir a Dragon Balls de estrelas negras e pedir o desejo ao dragão... Ou procurar as outras Dragon Balls, as de estrelas vermelhas, e fazer o desejo. Penso que isso seria mais fácil, considerando que, segundo o Sr. Popo, as Dragon Balls de estrelas negras espalham-se pelo Universo depois de realizarem um desejo. No entanto, não consideram a hipótese de reunir as outras uma única vez. Quando Goku se vê confrontado com a possibilidade de ter de viajar pelo espaço, ele simplesmente conforma-se com a sua situação e decide ficar pequeno. E mais uma vez, NINGUÉM se lembra que as outras Dragon Balls poderiam ser usadas. É incrível pensar que antes eles pensavam nelas a toda a hora, e agora nem se lembram da sua existência.
Depois de Goku se despedir de Dende e do Sr. Popo, a cena muda para uma cidade, onde um assalto a um banco está a decorrer. Coincidentemente, a mesma cidade onde o Mestre Muten Roshi aparece para se deslumbrar com as belas mulheres que por ali passam. Coincidentemente, a mesma cidade que tem um restaurante onde Goku está a comer. COINCIDENTEMENTE, a mesma cidade onde a Pan está a ter um encontro. Quem disse afinal que não há coincidências, hã?
Bem, a Pan e o "namorado" decidem ir ver um filme, mas devido ao assalto, não os deixam passar. Enraivecida, ela avança para travar os assaltantes, acabando por se encontrar com Goku, que também aparece na cena do crime para tratar das coisas. Nenhum dos dois reconhece o outro, e Goku pouco ou nada consegue fazer, enquanto vê Pan dar cabo dos assaltantes. O rapaz que estava com ela fica tão aterrorizado com a força dela que a deixa pendurada. No meio daquilo tudo, Muten Roshi aparece, sendo reconhecido por ambos os jovens. O velhote faz uma festa tremenda ao reencontrar-se com o seu antigo aluno, e Pan recebe um choque ao perceber que o seu avô virou uma criança mais pequena que ela.

"Não penses que te vou mudar a fralda, como fizeste comigo!"
Em casa de Goku, Chi-Chi está destroçada por ver o marido em criança, e jura a pés juntos que ele fez aquilo para a irritar. Não tarda para que Kaio-Sama contacte Goku e lhe diga algo muito alarmante: caso não encontre as Dragon Balls de estrelas negras e as reúna no prazo de um ano, o planeta em que foram usadas explodirá. E com o ar de choque de todos os ocupantes da sala, o episódio termina.

Não posso dizer que este episódio foi mau, mas não esteve à altura de uma verdadeira continuação de Dragon Ball Z. Foi apenas o primeiro, e grande parte das personagens não apareceram ainda, por isso não podemos dizer o quanto as suas personalidades mudaram em relação à série anterior. O ambiente não esteve mau, e a luta inicial esteve bem fiel aos combates da série anterior. A nível artístico, nota-se uma certa melhoria nos desenhos das personagens, o que chega a ser impressionante, tendo em conta que Dragon Ball GT estreou em 1996.
No próximo episódio: "Eu Sou a Líder! Pan Parte para o Espaço!"

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Zico o cão que causou revolução


Antes de começar com este artigo de opinião quero deixar aqui algumas questões bem claras, não vão algumas pessoas impulsivas ou pouco civilizadas começar-me a atribuir o estereótipo de "desumana".

1º) Eu gosto de animais. Gosto mesmo. O meu animal favorito aliás é o cão, criatura que se bem treinada e educada poderá tornar-se num companheiro para a vida;
2º) Apesar de em caso de assassinato ser a favor da pena de morte, eu dou valor à vida humana;
3º) Defendo os direitos dos animais, mas dou bastante valor à vida humana;
4º) Para mim quando um animal supostamente doméstico, comete assassinato, naturalmente de acordo com a lei deve ser abatido, ou pelo menos afastado da sociedade humana. 

Creio que com este último ponto toda a gente já perceba daquilo que vou falar aqui.
Há semanas atrás um bébé de 18 meses foi morto por um Pitbull de nome Zico. Aparentemente o bébé entrou na cozinha às escuras onde o cão estava a dormir, tropeçando no animal o que o terá levado a atacar a criança. Pouco depois o bébé morreu no hospital e o cão foi levado para abate. O porquê de ainda não terem responsabilizado o dono do cão e os pais do miúdo, isso vai além da minha compreensão.
Por alguma razão isto levou a que fosse elaborada uma petição contra o abate deste cão em particular. Dantes ninguém deu muita importância a casos anteriores a este, em particular com os casos de dogues argentinos que atacaram várias pessoas em Portugal neste Verão. 
Analisemos o que diz na petição: 


"Esta petição tem como objectivo lutar contra o abate do cão "Zico" que atacou uma criança em Beja e de todos os outros "Zicos" espalhados pelo país... 

Um cão que nunca fez mal durante 8 anos e atacou é porque teve algum motivo. 

O abate não é solução! Nestes casos há que investigar o que causou a reacção do cão (foi provocado/não está a ser bem tratado/etc) e pode optar-se pela reabilitação/treino do cão! 

Se não se abatem pessoas por cometerem erros, por roubarem, por matarem...então também não o façam com os animais! Eles também merecem uma segunda oportunidade! 


POR CADA VIDA PERDIDA DEVIDO AO ATAQUE DE UM ANIMAL, VÁRIAS VIDAS SÃO SALVAS POR ANIMAIS!!! 


Os signatários"

Mal acabei de ler este discurso resolvi que não vou ser das pessoas que vai assinar cegamente esta petição "por amor aos animais"... Aliás as motivações por detrás desta petição incomodam-me seriamente  porque ao contrário de muitos dos defensores deste cão, eu não esqueci o que está em causa: A MORTE DE UM SER HUMANO! Muitas pessoas parecem ignorar o facto de este cão ter morto uma criança de forma violenta. A impressão que me deu ao ler muitos dos comentários que vão pela petição é de que a vida humana vale menos do que a vida de um animal.
Não sou ninguém para realizar esse tipo de julgamento, mas creio que um pouco de amor à própria raça ficaria melhor a essas pessoas.

"Nestes casos há que investigar o que causou a reacção do cão (foi provocado/não está a ser bem tratado/etc) e pode optar-se pela reabilitação/treino do cão!"

Mal cheguei a esta parte na petição não consegui evitar achar completamente ridículo o facto de estarem a tentar humanizar um animal irracional. Chamo também a atenção para o facto de o dito cão ter 9 anos! 9 anos num cão não é a mesma coisa que 9 anos num humano. Não dá para encostar o cão à parede e ralhar-lhe até ele perceber que fez mal. Um cão de 9 anos não se treina como se treina um cachorrinho. 
Os cães, como qualquer animal irracional, agem por instinto quando se sentem ameaçados. Sendo animais irracionais, não têm noção das consequências dessas ações impulsivas. Acaba por ser tão perigoso como quando, por exemplo, um ser humano faz algo horrível, mesmo tendo plena noção da maldade que faz. Uma ação que acabe em assassinato, quer tenha sido feita racional ou irracionalmente é PERIGOSA.
E essa desculpa de o cão não ter feito nada durante 8 anos e ter feito com algum motivo... Qual motivo?! Agiu por instinto, como qualquer animal irracional age e por causa disso perdeu-se a vida de uma criança!
Saliento que neste caso estamos a falar de um Pitbull (que aliás nem é de raça pura). Há determinadas raças de cães que precisam de mais treino do que outras para poder conviver com um ambiente familiar. Para um cão destes se poder adaptar na sociedade, tem que existir muito treino e muita dedicação da parte dos donos. Um Rottweiller, por exemplo não é cão que dê para todos. Esse tipo de raças precisam de muita dedicação e caso esta não exista, podem-se tornar em raças perigosas.
É o que se vê com este caso. Um animal doméstico que faz mal a um ser humano ou a outro animal doméstico, automaticamente deixa de estar apto para viver em sociedade. Ou é abatido, ou afastado da sociedade. Um cão não se consegue reabilitar como se de um ser humano se tratasse. Parem de tentar humanizar um animal irracional!

"POR CADA VIDA PERDIDA DEVIDO AO ATAQUE DE UM ANIMAL, VÁRIAS VIDAS SÃO SALVAS POR ANIMAIS!!!"

... Desculpem lá mas que raio acabei eu de ler?! Esta frase surgiu completamente fora do contexto do que está em causa. Ah e sabem porque é que há animais que salvam várias vidas? Porque são treinados para esse propósito! Estão-me a tentar dizer que caso este cão seja salvo vai acabar ainda por salvar várias vidas? É preciso lembrar-vos que se trata de um animal irracional que MATOU UM BÉBÉ?!
Bom, no meio de tanta revolta todos já se devem perguntar se eu sou a favor do abate deste cão, ou não. Pois bem: é-me indiferente! 
O que muitas das pessoas que assinam esta petição não compreendem é que o abate não é feito cegamente sem julgar o cão. É feito sim como uma medida de segurança por forma a evitar que o animal perigoso em questão não volte a repetir o ataque a um ser humano.
Caso a vida deste cão seja poupada, sinceramente espero que vá parar às mãos de alguém que tenha noção do tipo de animal com o qual está prestes a lidar.
Para terminar, deixo aqui uma questão para reflexão: vocês deixariam os vossos filhos com uma pessoa se soubessem que a mesma tinha cometido atos de pedofilia? Deixavam-nos com uma pessoa que sabiam ter morto alguém? Deixavam-nos com uma pessoa que fosse esquizofrénico e tivesse um grande historial de atos violentos?
Seriam mesmo capazes de deixar algum dos vossos filhos aproximar-se de um animal perigoso? Um animal que tivesse morto uma criança parecer-vos-ia um animal em que pudessem confiar?
Isto faz-me lembrar aquelas situações "engraçadas" no zoo, nas quais uma criança brinca perto duma jaula envidraçada de um leão ou de um tigre, o animal do outro lado do vidro anda em volta da criança a tentar agarrá-la e abocanhá-la, e os pais apenas se riem porque "não há perigo". E se o vidro se partisse? Também se riam? Tenham noção de que o perigo é real e ainda pior tratando-se de uma criança.

Aliás, como reagiriam se fosse a vida do vosso filho que fosse tirada por este cão? Teriam a pena que têm dele agora? Ficariam com um animal, que vos tivesse tirado algo de precioso nas vossas vidas? Ou iriam vocês mesmos tratar do abate do animal?

Aos que apoiam a salvação deste cão, vale a pena reflectir sobre esta questão: se fosse com vocês, reagiriam como estão a reagir agora?

@Sara Sampaio

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Top 10 dos melhores filmes de 2012

Tenho de afirmar que 2012 foi um bom ano para filmes. Tivemos tanto filmes bons como filmes menos bons, e até houve espaço para os horríveis, por isso podemos dizer que houve um certo equilíbrio nos gostos de cada um. No entanto, há sempre aqueles filmes que mais nos impressionaram, mais nos fizeram rir, chorar, borbulhar o nosso sangue à medida que o enredo vai desenrolando. São esses os filmes que presto homenagem neste post.
Não vou dizer que fui ao cinema sempre que um grande êxito chegava às salas de cinema, mas as minhas idas foram suficientemente frequentes para me sentir apto a dizer quais os filmes que mais me encantaram ao ponto de os colocar nesta lista. Posso não ter visto o último 007 ou mesmo o Looper (que eu esperava ver no mesmo dia em que fui ver o Arbitrage), entre outros, por isso a minha lista pode não ser totalmente do vosso agrado. Mas esta é uma opinião pessoal, algo objectivo, no qual tenciono eleger e explicar as minhas escolhas.
Antes de apresentar a minha lista dos 10 melhores filmes de 2012, tenho de mencionar dois deles que, por certos aspectos, não tiveram lugar nesta lista mas que gostei o suficiente para poder aqui vir falar deles. Serão as chamadas Menções Honrosas.

MENÇÃO HONROSA #1

Balas & Bolinhos: O Último Capítulo

A minha primeira Menção Honrosa vai para um filme português cuja fama percorreu Portugal em grande velocidade após os filmes anteriores. Para quem leu a crítica que fiz em Setembro, sabe o porquê deste filme ter ficado fora da lista. Apesar de bem executado e engraçado, a salgalhada de histórias que se enrodilhavam no enredo principal (não tendo sequer qualquer influência na mesma) tornou o filme confuso. A falta de um enredo linear que tão bem resultou no filme anterior tornou esta película numa montanha-russa de conveniências, coincidências e ainda inconsistências. Um bom filme, mas não superou as expectativas.



MENÇÃO HONROSA #2

Men in Black 3

Sabendo o fracasso que o anterior foi, não pude deixar de torcer o nariz ao saber não só da existência desta continuação, mas também do que se tratava. Acabou por não ser assim tão desagradável como pensava. Will Smith continua divertido como o Agente J e Tommy Lee Jones mantém a sua personalidade de pedra do Agente K, mantendo a tão conhecida dupla. Apesar do enredo ter sido visivelmente superior ao filme anterior, não foi tão bom como o primeiro. Piadas um tanto forçadas (e muitas vezes sem piada), momentos confusos e outros aspectos afastaram este filme de um lugar no Top 10. No entanto, o ritmo é bom, a história é interessante e há acção suficiente para deixar o espectador com vontade de ver como tudo se vai desenrolar.


E com ambas as Menções Honrosas atribuídas, passemos então ao Top 10 dos melhores filmes de 2012 (na minha opinião).

Nº 10

Ted

Do criador de Family Guy, American Dad e The Cleveland Show, Seth Macfarlane entrega-nos uma jóia de puro humor sem quaisquer medos. Ted é a história de um urso de peluche que ganhou vida quando o pequeno John Bennett desejou que este fosse real. Apesar de companheiros de brincadeiras, John eventualmente teve de crescer, e Ted acompanhou esse crescimento, tornando-se tão irresponsável e imaturo quanto o seu melhor amigo. As coisas começam a mudar quando Lori, namorada de John, exige que Ted se afaste para que ambos possam ter uma vida juntos. Conflitos não faltam, e no meio do imenso humor que faz lembrar Family Guy houve espaço para lições de moral e momentos emotivos. Sem dúvida um dos melhores trabalhos de Seth Macfarlane.


Nº 9

The Hunger Games

Não fui dos que se juntou à cacofonia de vozes que aclamavam este filme por ser muito bom, quando a maioria nem tinha lido o livro ou sequer tido conhecimento da existência de tal livro. Eu vi por pura curiosidade e, apesar de não ter lido ainda o livro, posso dizer que até gostei da experiência. The Hunger Games é suspeitosamente parecido com uma história de origem japonesa chamada Battle Royal, simplesmente porque o foco principal de ambas as histórias é muito idêntico: um grupo de jovens é enviado para um lugar isolado e são obrigados a matarem-se uns aos outros até que haja apenas um sobrevivente. O que difere as histórias é o facto de enquanto Battle Royal se focar nos jovens, nas suas histórias e objectivos de vida, relacionando-nos com eles e fazendo-nos ter vontade de torcer por eles, The Hunger Games foca-se na mórbida sociedade onde a história se passa. É uma abordagem interessante, tendo em conta que toda a sociedade é muito diferente daquilo que alguma vez vimos noutras histórias. É bizarro ver o destaque que dão à matança que se desenrola entre os jovens, tratando tudo como se fosse um doentio reality show. Pouco ou nada sabemos da maioria dos competidores, e o enredo é previsível o suficiente para sabermos quem vai vencer. No entanto, não deixa de ser um filme interessante.


Nº 8

Chronicle

Filmado ao estilo primeira pessoa, Chronicle relata a história de três rapazes que ganham poderes mentais após fazerem uma estranha descoberta no meio de uma floresta. O filme vai acompanhando com maior destaque um deles, o introvertido Andrew, enquanto este desenvolve os seus poderes e os usa para ganhar o protagonismo e o respeito que sempre quis ter. É interessante ver como estas personagens se vão desenvolvendo ao longo do filme, usando os seus poderes não da tão genérica forma controlada dos típicos super-heróis, mas para fazer o que querem. Andrew torna-se então o mais ambicioso dos três, não encontrando limites morais para o uso das suas capacidades e distribuindo horríveis castigos àqueles que o atormentaram no passado. Este é um excelente filme que mostra o que acontece quando um grande poder é colocado nas mãos erradas, acabando por tornar o seu usuário num autêntico monstro.


Nº 7

Resident Evil: Damnation

Se estavam à espera do filme de Paul W. S. Anderson, então podem esperar sentados porque esse foi, na minha opinião de fã de Resident Evil, um dos piores filmes do ano. Damnation, por outro lado, conseguiu captar com bastante fidelidade o ambiente dos jogos, que foram a origem de tudo. Para quem viu este filme e o Resident Evil: Degeneration sabe o quão melhorada a imagem ficou em comparação com ambos os filmes. A história é também bastante interessante, apesar de não ter grande conexão com os jogos. Felizmente, a existência das personagens que nos habituámos a ver torna o filme familiar. As vozes estão bem interpretadas e encaixadas nas respectivas personagens, e as suas personalidades fazem-nos desejar que sobrevivam ao inferno em que se meteram. Se gostam de Resident Evil, este é um bom filme para se deliciarem.


Nº 6

The Amazing Spider-Man

De todos os super-heróis da Marvel, este é o meu favorito. Muita gente detestou o 3º filme da trilogia de Sam Raimi (e eu confesso que o filme tinha muitas falhas), mas para mim não deixou de ser um bom filme. Quando soube que iam fazer um reboot e introduzir uma nova origem do Cabeça-de-Teia, eu torci o nariz, principalmente depois de ver algumas cenas do trailer. Apesar de não ter sido o falhanço total, o que colocou este filme em sexto lugar foi o facto de não me parecer tão bom como o que saiu em 2002. Claro que os efeitos ficaram muito melhores, mas em termos de história e personagens não achei que fosse tão bom. Um dos pontos positivos foi a presença de Gwen Stacy e a sua personalidade independente; uma grande lufada de ar fresco que é muito superior à dependente Mary Jane da trilogia anterior. Contudo, o Peter Parker desta versão não me pareceu tão nerd nem tão atormentado como a personagem interpretada por Tobey Maguire. As piadas deste Homem-Aranha pareceram-me mais forçadas e um tanto estúpidas, e o vilão não cativou tanto nem era tão diabólico como o Green Goblin. Contudo, The Amazing Spider-Man foi uma grande experiência, e para fãs deste super-herói, esta película é indispensável.


Nº 5

Dredd

Mesmo quando estava à espera de uma produção ainda pior que o original de 1995, eis que me deparo com uma versão muito melhor. Dredd é aquilo que Judge Dredd deveria ter sido caso tirassem a história estúpida, o ambiente pouco convincente, o Sylvester Stalone e as suas piadas idiotas e, principalmente aquele maldito Rob Schneider. Dredd é um filme cujo ambiente negro e desolador coincide perfeitamente com o distópico futuro que a narração da versão de 1995 tenta transmitir, mas que falha redondamente em demonstrar. Dredd é mais sério, mais cumpridor da lei, e nesta história pouco ou nada sabemos sobre ele, para além de ser um Juiz dedicado à Lei e à Ordem. Nós nem sequer lhe vemos o rosto durante todo o filme (ao contrário do original). A história é simples e parece mais um episódio de uma série do que algo de importante. Dredd e uma mulher com capacidade de ler a mente juntam-se para travar um gangue que fabrica e comercializa uma perigosa droga. Quando chegam ao local, a líder do gangue fecha o prédio e inicia uma caça aos dois Juizes, levando-os a lutar pela vida enquanto tentam desmantelar a organização. Muito mais negro e muito mais sério, Dredd é a prova que nem todas as versões recentes de filmes mais antigos são piores que os originais.


Nº 4

The Dark Knight Rises

Tive algumas dúvidas em relação a este filme e a Dredd, e acabei por escolher este para figurar no quarto lugar do Top. E a razão é simples: como disse no número anterior, Dredd pareceu-me um episódio de uma série. Não houve resolução para o herói, não houve uma grande moral e nem sequer uma história pessoal. The Dark Knight Rises, por outro lado, é a continuação de uma cruzada pessoal. Desta vez, Bruce Wayne tem de voltar a enfrentar os seus demónios do passado enquanto impede que a cidade de Gotham seja destruída. Apesar de ter sido uma grande produção, e de estar muito bem feito, assim como adorar as performances de cada personagem, o enredo não chegou para superar a genialidade de The Dark Knight. O vilão Bane não me pareceu muito ameaçador, e a luta entre este e o Batman não me pareceu muito emocionante. Contudo, há-que dizer que Christopher Nolan encerrou a trilogia de uma boa forma, mostrando ao mundo que o Cavaleiro das Trevas não precisa de ter super poderes para ser um dos melhores super-heróis de todos os tempos.


Nº 3

The Avengers

Eu coloquei este filme acima do The Dark Knight Rises por várias razões, mas uma delas foi por aquilo que a imagem do poster mostra: Os Vingadores, a equipa de super-heróis mais famosa de sempre. Eu gosto imenso de super-heróis (como já se pôde ver pelas minhas escolhas anteriores), por isso o meu entusiasmo quando soube da vinda desta magnífica película. Os filmes anteriores estavam a preparar, o trailer prometia, e o filme soube cumprir, excedendo as expectativas. The Avengers não é apenas um filme sobre super-heróis lutando contra as forças do mal: cada um dos heróis tem as suas próprias personalidades, os seus demónios interiores, e entenderem-se à primeira não é uma tarefa fácil. Mas lá conseguem esquecer as suas divergências, à medida que se apercebem que o que têm em comum é o mais importante, e se juntam para o confronto final, uma cena de batalha tão épica que acabou por saber a pouco. Para um fã de super-heróis, não ver este filme é um pecado.


Nº 2

The Hobbit: An Unexpected Journey
Apesar das falhas apontadas no post anterior, e apesar de termos dado uma classificação de 7,5 em 10, tenho de admitir que este filme ficou muito superior a todos os outros desta lista, e ainda de outros que não cheguei a ver em 2012. Sempre fui um grande fã de fantasia, e esse fascínio aumentou quando tomei conhecimento das obras de Tolkien e da épica demanda narrada em O Senhor dos Anéis. Por isso a minha grande expectativa quando fui ver este filme, pois quase uma década se passou desde o último filme da saga anterior. Pode não ter sido o filme perfeito, mas esteve muito acima de muitos outros. Para quem quiser saber mais sobre a nossa opinião acerca do filme, pode ler o post anterior e ficarão a saber o porquê deste filme ter chegado à posição em que chegou.


No entanto, apesar de este filme ter sido fenomenal, apenas chegou ao nº 2 deste Top. Pois houve um que este ano se tornou ainda melhor e ainda mais épico.

Nº 1

To Boldly Flee

Ok, eu confesso que fiz um pouco de batota nesta escolha, visto que To Boldly Flee não é um filme, mas uma mini-série de oito partes. Contudo, foi uma produção que visou celebrar o quarto aniversário do website thatguywiththeglasses.com, que em 2010 e 2011 lançou outros dois filmes (Kickassia e Suburban Knights), e este foi como o último de uma trilogia. Por isso, se virmos todas as partes de uma só vez, podemos considerá-lo como uma muito longa metragem. O que faz deste filme melhor que The Hobbit? A resposta é simples: junta tudo aquilo que mais gostamos e entrega-nos de uma forma hilariante e épica. Filmado com um orçamento muito baixo em comparação com as produções de Hollywood, To Boldly Flee conta a demanda espacial que o protagonista Nostalgia Critic faz na companhia de outros colaboradores do website, com o objectivo de descobrir o que aconteceu com Ma-Ti, que morreu no fim do filme anterior. Enquanto isso, ele vê-se perante uma ameaça em busca de vingança. Todo o filme é uma mixórdia de piadas e referências que conseguem pôr o espectador atento a toda a hora. A história é soberba e consegue envolver o vasto elenco de personagens, não deixando nenhuma de fora. A banda sonora é cativante e ajuda a prender o espectador ao ecrã. As referências envolvem um pouco de tudo aquilo que adoramos ou detestamos, desde Star Wars, Star Trek, Matrix, Cowboy Bebop, Judge Dredd, Robocop, entre outras. Sem dúvida um dos melhores filmes do ano, que prova que não é preciso um grande orçamento nem grandes cenários para se conseguir uma história sublime.



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O HOBBIT: Uma longa, LONGA viagem inesperada

Finalmente os autores deste blog fazem uma crítica em conjunto. Desta vez referente a algo cujo fascínio é mútuo, e por questões relacionadas a nostalgia de 2001 a 2003 graças à trilogia de filmes realizados por Peter Jackson, “O Senhor dos Anéis”. Não é de negar que a épica jornada do pequeno Frodo Baggins e Companhia pela Terra Média encantou-nos a nós a milhares de crianças (e adultos) pelo mundo fora. Por isso foi grande o entusiasmo quando após “O Regresso do Rei”, Jackson anunciou “O Hobbit”, fazendo-nos delirar de expectativa com a possibilidade de um dia voltarmos àquele maravilhoso mundo. No entanto a espera foi mais longa do que esperávamos e somente 9 anos depois é que esse desejo voltaria às salas de cinema.


Baseado no primeiro livro de JRR Tolkien, a história foca-se no tio de Frodo, Bilbo Baggins, que nos seus anos de juventude viveu uma aventura que o mudaria para sempre e que seria o prelúdio para o que se seguiria em “O Senhor dos Anéis”. Acompanhado por Gandalf o Cinzento, e por uma companhia de 13 anões, liderados por Thorin Escudo de Carvalho, o objectivo desta jornada tratava-se de recuperar o palácio e ouro que pertenciam aos antepassados de Thorin, que há muito tempo atrás lhes foram roubados pelo temível dragão Smaug. E assim começa o primeiro de três filmes já anunciados por Jackson.
Começando pelos aspectos que nos fizeram gostar desta experiência, há que afirmar que o filme está bastante fiel ao conteúdo do livro (e talvez até demasiado, tendo em conta a quantidade de coisas que foram sendo introduzidas ao longo da película). Os diálogos estão fiéis, e pontos importantes da obra estão muito bem retratados. Há um pouco mais de personalidade inserida nas personagens mais importantes, criando uma maior humanidade e a possibilidade de conflitualidade entre os aventureiros. Há quem veja nisso um grande problema, pois afasta-se um pouco da maneira de ser das personagens da obra, mas para nós, isso abriu-nos um caminho para um novo nível de complexidade que nos permitiu poder distinguir as personagens umas das outras. A tensão entre Bilbo e Thorin é bem presente ao longo do filme, contrastando o amor que o hobbit tem pelo conforto do seu lar com a vontade que o anão tem de recuperar o seu. Gandalf também está muito interessante, sendo fiel à sua contraparte da obra literária. É ele que auxilia os 13 anões na demanda, e aquele que dá um “empurrãozinho” ao Bilbo para que este saia de casa e conheça um mundo que este apenas julgava conhecer dos mapas e livros.
Todo o universo está ricamente preenchido, fazendo jus ao legado deixado pela trilogia anterior. As paisagens estão soberbas, variando fluidamente sempre que mudam de localização, desde prados e vales verdejantes até grutas negras e profundas. O Shire está belo como sempre, e Rivendell mantem-se majestosa e mágica. A nível paisagístico, a Terra Média não podia ter ficado melhor.
A banda sonora não é tão épica quanto à da trilogia original, mas consegue estar ao nível do exigido no filme. Cada música inserida encaixa-se como uma luva nas respectivas cenas, criando uma harmonia que nem todas as longas-metragens conseguem produzir. A música que os anões cantam em casa de Bilbo é maravilhosamente bem interpretada e prepara o espectador para mais de duas horas de pura aventura.
Contudo, nem tudo são rosas nesta adaptação cinematográfica. Apesar de bem conseguido, o filme tem algumas falhas que o tornam inferior à trilogia anterior. Uma delas é o excessivo número de efeitos por computador usados em personagens e animais. Quem viu a trilogia anterior sabe o quão bem estiveram os orcs retratados, graças a um excelente trabalho de maquilhagem. Contudo, aqui as criaturas receberam um tratamento diferente, sendo geradas por computador, o que mostra claramente um efeito de falsidade que não parece pertencer ao ambiente.
Apesar de termos referido a vasta variedade de ambientes, há-que dizer que nem todos os cenários são tão convincentes quanto parecem. Cenários abertos são fieis e bem retratados, mas cenários mais fechados (como a floresta onde acontece o encontro com os Trolls) parecem mesmo passar-se dentro de um estúdio, e não transmitem a sensação de acontecerem mesmo onde a história diz que acontecem.
Para quem leu "O Hobbit", sabe que três filmes é desnecessário. Mesmo dois filmes parecem demasiado, e essa é uma das partes negativas do filme. Apesar de querer abordar o máximo de material possível, Jackson arrisca-se a criar ambientes muito parados ou a desenvolver diálogos enfastiantes que pouco têm a ver com o enredo principal.
Algumas personagens de "O Senhor dos Anéis" aparecem também neste filme, destacando as presenças de Frodo, Galandriel e Saruman. Para sermos francos, não compreendemos porque Jackson se deu ao trabalho de voltar a chamar Elijah Wood, Cate Blanchett e Christopher Lee, visto que as suas presenças e impacto na história em pouco ou nada têm relevância nesta história.
Contudo, apesar das falhas presentes, o filme está muito bom. Muito divertido de ver e com personagens cativantes e bem retratadas, "The Hobbit: A Unexpected Journey" é a primeira parte de um grande regresso ao mundo fantástico criado por um dos maiores génios da literatura que há memória.

Nota final: 7,5 em 10

@Sara Sampaio
@Tiago Costa