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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Zico o cão que causou revolução


Antes de começar com este artigo de opinião quero deixar aqui algumas questões bem claras, não vão algumas pessoas impulsivas ou pouco civilizadas começar-me a atribuir o estereótipo de "desumana".

1º) Eu gosto de animais. Gosto mesmo. O meu animal favorito aliás é o cão, criatura que se bem treinada e educada poderá tornar-se num companheiro para a vida;
2º) Apesar de em caso de assassinato ser a favor da pena de morte, eu dou valor à vida humana;
3º) Defendo os direitos dos animais, mas dou bastante valor à vida humana;
4º) Para mim quando um animal supostamente doméstico, comete assassinato, naturalmente de acordo com a lei deve ser abatido, ou pelo menos afastado da sociedade humana. 

Creio que com este último ponto toda a gente já perceba daquilo que vou falar aqui.
Há semanas atrás um bébé de 18 meses foi morto por um Pitbull de nome Zico. Aparentemente o bébé entrou na cozinha às escuras onde o cão estava a dormir, tropeçando no animal o que o terá levado a atacar a criança. Pouco depois o bébé morreu no hospital e o cão foi levado para abate. O porquê de ainda não terem responsabilizado o dono do cão e os pais do miúdo, isso vai além da minha compreensão.
Por alguma razão isto levou a que fosse elaborada uma petição contra o abate deste cão em particular. Dantes ninguém deu muita importância a casos anteriores a este, em particular com os casos de dogues argentinos que atacaram várias pessoas em Portugal neste Verão. 
Analisemos o que diz na petição: 


"Esta petição tem como objectivo lutar contra o abate do cão "Zico" que atacou uma criança em Beja e de todos os outros "Zicos" espalhados pelo país... 

Um cão que nunca fez mal durante 8 anos e atacou é porque teve algum motivo. 

O abate não é solução! Nestes casos há que investigar o que causou a reacção do cão (foi provocado/não está a ser bem tratado/etc) e pode optar-se pela reabilitação/treino do cão! 

Se não se abatem pessoas por cometerem erros, por roubarem, por matarem...então também não o façam com os animais! Eles também merecem uma segunda oportunidade! 


POR CADA VIDA PERDIDA DEVIDO AO ATAQUE DE UM ANIMAL, VÁRIAS VIDAS SÃO SALVAS POR ANIMAIS!!! 


Os signatários"

Mal acabei de ler este discurso resolvi que não vou ser das pessoas que vai assinar cegamente esta petição "por amor aos animais"... Aliás as motivações por detrás desta petição incomodam-me seriamente  porque ao contrário de muitos dos defensores deste cão, eu não esqueci o que está em causa: A MORTE DE UM SER HUMANO! Muitas pessoas parecem ignorar o facto de este cão ter morto uma criança de forma violenta. A impressão que me deu ao ler muitos dos comentários que vão pela petição é de que a vida humana vale menos do que a vida de um animal.
Não sou ninguém para realizar esse tipo de julgamento, mas creio que um pouco de amor à própria raça ficaria melhor a essas pessoas.

"Nestes casos há que investigar o que causou a reacção do cão (foi provocado/não está a ser bem tratado/etc) e pode optar-se pela reabilitação/treino do cão!"

Mal cheguei a esta parte na petição não consegui evitar achar completamente ridículo o facto de estarem a tentar humanizar um animal irracional. Chamo também a atenção para o facto de o dito cão ter 9 anos! 9 anos num cão não é a mesma coisa que 9 anos num humano. Não dá para encostar o cão à parede e ralhar-lhe até ele perceber que fez mal. Um cão de 9 anos não se treina como se treina um cachorrinho. 
Os cães, como qualquer animal irracional, agem por instinto quando se sentem ameaçados. Sendo animais irracionais, não têm noção das consequências dessas ações impulsivas. Acaba por ser tão perigoso como quando, por exemplo, um ser humano faz algo horrível, mesmo tendo plena noção da maldade que faz. Uma ação que acabe em assassinato, quer tenha sido feita racional ou irracionalmente é PERIGOSA.
E essa desculpa de o cão não ter feito nada durante 8 anos e ter feito com algum motivo... Qual motivo?! Agiu por instinto, como qualquer animal irracional age e por causa disso perdeu-se a vida de uma criança!
Saliento que neste caso estamos a falar de um Pitbull (que aliás nem é de raça pura). Há determinadas raças de cães que precisam de mais treino do que outras para poder conviver com um ambiente familiar. Para um cão destes se poder adaptar na sociedade, tem que existir muito treino e muita dedicação da parte dos donos. Um Rottweiller, por exemplo não é cão que dê para todos. Esse tipo de raças precisam de muita dedicação e caso esta não exista, podem-se tornar em raças perigosas.
É o que se vê com este caso. Um animal doméstico que faz mal a um ser humano ou a outro animal doméstico, automaticamente deixa de estar apto para viver em sociedade. Ou é abatido, ou afastado da sociedade. Um cão não se consegue reabilitar como se de um ser humano se tratasse. Parem de tentar humanizar um animal irracional!

"POR CADA VIDA PERDIDA DEVIDO AO ATAQUE DE UM ANIMAL, VÁRIAS VIDAS SÃO SALVAS POR ANIMAIS!!!"

... Desculpem lá mas que raio acabei eu de ler?! Esta frase surgiu completamente fora do contexto do que está em causa. Ah e sabem porque é que há animais que salvam várias vidas? Porque são treinados para esse propósito! Estão-me a tentar dizer que caso este cão seja salvo vai acabar ainda por salvar várias vidas? É preciso lembrar-vos que se trata de um animal irracional que MATOU UM BÉBÉ?!
Bom, no meio de tanta revolta todos já se devem perguntar se eu sou a favor do abate deste cão, ou não. Pois bem: é-me indiferente! 
O que muitas das pessoas que assinam esta petição não compreendem é que o abate não é feito cegamente sem julgar o cão. É feito sim como uma medida de segurança por forma a evitar que o animal perigoso em questão não volte a repetir o ataque a um ser humano.
Caso a vida deste cão seja poupada, sinceramente espero que vá parar às mãos de alguém que tenha noção do tipo de animal com o qual está prestes a lidar.
Para terminar, deixo aqui uma questão para reflexão: vocês deixariam os vossos filhos com uma pessoa se soubessem que a mesma tinha cometido atos de pedofilia? Deixavam-nos com uma pessoa que sabiam ter morto alguém? Deixavam-nos com uma pessoa que fosse esquizofrénico e tivesse um grande historial de atos violentos?
Seriam mesmo capazes de deixar algum dos vossos filhos aproximar-se de um animal perigoso? Um animal que tivesse morto uma criança parecer-vos-ia um animal em que pudessem confiar?
Isto faz-me lembrar aquelas situações "engraçadas" no zoo, nas quais uma criança brinca perto duma jaula envidraçada de um leão ou de um tigre, o animal do outro lado do vidro anda em volta da criança a tentar agarrá-la e abocanhá-la, e os pais apenas se riem porque "não há perigo". E se o vidro se partisse? Também se riam? Tenham noção de que o perigo é real e ainda pior tratando-se de uma criança.

Aliás, como reagiriam se fosse a vida do vosso filho que fosse tirada por este cão? Teriam a pena que têm dele agora? Ficariam com um animal, que vos tivesse tirado algo de precioso nas vossas vidas? Ou iriam vocês mesmos tratar do abate do animal?

Aos que apoiam a salvação deste cão, vale a pena reflectir sobre esta questão: se fosse com vocês, reagiriam como estão a reagir agora?

@Sara Sampaio

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Top 10 dos melhores filmes de 2012

Tenho de afirmar que 2012 foi um bom ano para filmes. Tivemos tanto filmes bons como filmes menos bons, e até houve espaço para os horríveis, por isso podemos dizer que houve um certo equilíbrio nos gostos de cada um. No entanto, há sempre aqueles filmes que mais nos impressionaram, mais nos fizeram rir, chorar, borbulhar o nosso sangue à medida que o enredo vai desenrolando. São esses os filmes que presto homenagem neste post.
Não vou dizer que fui ao cinema sempre que um grande êxito chegava às salas de cinema, mas as minhas idas foram suficientemente frequentes para me sentir apto a dizer quais os filmes que mais me encantaram ao ponto de os colocar nesta lista. Posso não ter visto o último 007 ou mesmo o Looper (que eu esperava ver no mesmo dia em que fui ver o Arbitrage), entre outros, por isso a minha lista pode não ser totalmente do vosso agrado. Mas esta é uma opinião pessoal, algo objectivo, no qual tenciono eleger e explicar as minhas escolhas.
Antes de apresentar a minha lista dos 10 melhores filmes de 2012, tenho de mencionar dois deles que, por certos aspectos, não tiveram lugar nesta lista mas que gostei o suficiente para poder aqui vir falar deles. Serão as chamadas Menções Honrosas.

MENÇÃO HONROSA #1

Balas & Bolinhos: O Último Capítulo

A minha primeira Menção Honrosa vai para um filme português cuja fama percorreu Portugal em grande velocidade após os filmes anteriores. Para quem leu a crítica que fiz em Setembro, sabe o porquê deste filme ter ficado fora da lista. Apesar de bem executado e engraçado, a salgalhada de histórias que se enrodilhavam no enredo principal (não tendo sequer qualquer influência na mesma) tornou o filme confuso. A falta de um enredo linear que tão bem resultou no filme anterior tornou esta película numa montanha-russa de conveniências, coincidências e ainda inconsistências. Um bom filme, mas não superou as expectativas.



MENÇÃO HONROSA #2

Men in Black 3

Sabendo o fracasso que o anterior foi, não pude deixar de torcer o nariz ao saber não só da existência desta continuação, mas também do que se tratava. Acabou por não ser assim tão desagradável como pensava. Will Smith continua divertido como o Agente J e Tommy Lee Jones mantém a sua personalidade de pedra do Agente K, mantendo a tão conhecida dupla. Apesar do enredo ter sido visivelmente superior ao filme anterior, não foi tão bom como o primeiro. Piadas um tanto forçadas (e muitas vezes sem piada), momentos confusos e outros aspectos afastaram este filme de um lugar no Top 10. No entanto, o ritmo é bom, a história é interessante e há acção suficiente para deixar o espectador com vontade de ver como tudo se vai desenrolar.


E com ambas as Menções Honrosas atribuídas, passemos então ao Top 10 dos melhores filmes de 2012 (na minha opinião).

Nº 10

Ted

Do criador de Family Guy, American Dad e The Cleveland Show, Seth Macfarlane entrega-nos uma jóia de puro humor sem quaisquer medos. Ted é a história de um urso de peluche que ganhou vida quando o pequeno John Bennett desejou que este fosse real. Apesar de companheiros de brincadeiras, John eventualmente teve de crescer, e Ted acompanhou esse crescimento, tornando-se tão irresponsável e imaturo quanto o seu melhor amigo. As coisas começam a mudar quando Lori, namorada de John, exige que Ted se afaste para que ambos possam ter uma vida juntos. Conflitos não faltam, e no meio do imenso humor que faz lembrar Family Guy houve espaço para lições de moral e momentos emotivos. Sem dúvida um dos melhores trabalhos de Seth Macfarlane.


Nº 9

The Hunger Games

Não fui dos que se juntou à cacofonia de vozes que aclamavam este filme por ser muito bom, quando a maioria nem tinha lido o livro ou sequer tido conhecimento da existência de tal livro. Eu vi por pura curiosidade e, apesar de não ter lido ainda o livro, posso dizer que até gostei da experiência. The Hunger Games é suspeitosamente parecido com uma história de origem japonesa chamada Battle Royal, simplesmente porque o foco principal de ambas as histórias é muito idêntico: um grupo de jovens é enviado para um lugar isolado e são obrigados a matarem-se uns aos outros até que haja apenas um sobrevivente. O que difere as histórias é o facto de enquanto Battle Royal se focar nos jovens, nas suas histórias e objectivos de vida, relacionando-nos com eles e fazendo-nos ter vontade de torcer por eles, The Hunger Games foca-se na mórbida sociedade onde a história se passa. É uma abordagem interessante, tendo em conta que toda a sociedade é muito diferente daquilo que alguma vez vimos noutras histórias. É bizarro ver o destaque que dão à matança que se desenrola entre os jovens, tratando tudo como se fosse um doentio reality show. Pouco ou nada sabemos da maioria dos competidores, e o enredo é previsível o suficiente para sabermos quem vai vencer. No entanto, não deixa de ser um filme interessante.


Nº 8

Chronicle

Filmado ao estilo primeira pessoa, Chronicle relata a história de três rapazes que ganham poderes mentais após fazerem uma estranha descoberta no meio de uma floresta. O filme vai acompanhando com maior destaque um deles, o introvertido Andrew, enquanto este desenvolve os seus poderes e os usa para ganhar o protagonismo e o respeito que sempre quis ter. É interessante ver como estas personagens se vão desenvolvendo ao longo do filme, usando os seus poderes não da tão genérica forma controlada dos típicos super-heróis, mas para fazer o que querem. Andrew torna-se então o mais ambicioso dos três, não encontrando limites morais para o uso das suas capacidades e distribuindo horríveis castigos àqueles que o atormentaram no passado. Este é um excelente filme que mostra o que acontece quando um grande poder é colocado nas mãos erradas, acabando por tornar o seu usuário num autêntico monstro.


Nº 7

Resident Evil: Damnation

Se estavam à espera do filme de Paul W. S. Anderson, então podem esperar sentados porque esse foi, na minha opinião de fã de Resident Evil, um dos piores filmes do ano. Damnation, por outro lado, conseguiu captar com bastante fidelidade o ambiente dos jogos, que foram a origem de tudo. Para quem viu este filme e o Resident Evil: Degeneration sabe o quão melhorada a imagem ficou em comparação com ambos os filmes. A história é também bastante interessante, apesar de não ter grande conexão com os jogos. Felizmente, a existência das personagens que nos habituámos a ver torna o filme familiar. As vozes estão bem interpretadas e encaixadas nas respectivas personagens, e as suas personalidades fazem-nos desejar que sobrevivam ao inferno em que se meteram. Se gostam de Resident Evil, este é um bom filme para se deliciarem.


Nº 6

The Amazing Spider-Man

De todos os super-heróis da Marvel, este é o meu favorito. Muita gente detestou o 3º filme da trilogia de Sam Raimi (e eu confesso que o filme tinha muitas falhas), mas para mim não deixou de ser um bom filme. Quando soube que iam fazer um reboot e introduzir uma nova origem do Cabeça-de-Teia, eu torci o nariz, principalmente depois de ver algumas cenas do trailer. Apesar de não ter sido o falhanço total, o que colocou este filme em sexto lugar foi o facto de não me parecer tão bom como o que saiu em 2002. Claro que os efeitos ficaram muito melhores, mas em termos de história e personagens não achei que fosse tão bom. Um dos pontos positivos foi a presença de Gwen Stacy e a sua personalidade independente; uma grande lufada de ar fresco que é muito superior à dependente Mary Jane da trilogia anterior. Contudo, o Peter Parker desta versão não me pareceu tão nerd nem tão atormentado como a personagem interpretada por Tobey Maguire. As piadas deste Homem-Aranha pareceram-me mais forçadas e um tanto estúpidas, e o vilão não cativou tanto nem era tão diabólico como o Green Goblin. Contudo, The Amazing Spider-Man foi uma grande experiência, e para fãs deste super-herói, esta película é indispensável.


Nº 5

Dredd

Mesmo quando estava à espera de uma produção ainda pior que o original de 1995, eis que me deparo com uma versão muito melhor. Dredd é aquilo que Judge Dredd deveria ter sido caso tirassem a história estúpida, o ambiente pouco convincente, o Sylvester Stalone e as suas piadas idiotas e, principalmente aquele maldito Rob Schneider. Dredd é um filme cujo ambiente negro e desolador coincide perfeitamente com o distópico futuro que a narração da versão de 1995 tenta transmitir, mas que falha redondamente em demonstrar. Dredd é mais sério, mais cumpridor da lei, e nesta história pouco ou nada sabemos sobre ele, para além de ser um Juiz dedicado à Lei e à Ordem. Nós nem sequer lhe vemos o rosto durante todo o filme (ao contrário do original). A história é simples e parece mais um episódio de uma série do que algo de importante. Dredd e uma mulher com capacidade de ler a mente juntam-se para travar um gangue que fabrica e comercializa uma perigosa droga. Quando chegam ao local, a líder do gangue fecha o prédio e inicia uma caça aos dois Juizes, levando-os a lutar pela vida enquanto tentam desmantelar a organização. Muito mais negro e muito mais sério, Dredd é a prova que nem todas as versões recentes de filmes mais antigos são piores que os originais.


Nº 4

The Dark Knight Rises

Tive algumas dúvidas em relação a este filme e a Dredd, e acabei por escolher este para figurar no quarto lugar do Top. E a razão é simples: como disse no número anterior, Dredd pareceu-me um episódio de uma série. Não houve resolução para o herói, não houve uma grande moral e nem sequer uma história pessoal. The Dark Knight Rises, por outro lado, é a continuação de uma cruzada pessoal. Desta vez, Bruce Wayne tem de voltar a enfrentar os seus demónios do passado enquanto impede que a cidade de Gotham seja destruída. Apesar de ter sido uma grande produção, e de estar muito bem feito, assim como adorar as performances de cada personagem, o enredo não chegou para superar a genialidade de The Dark Knight. O vilão Bane não me pareceu muito ameaçador, e a luta entre este e o Batman não me pareceu muito emocionante. Contudo, há-que dizer que Christopher Nolan encerrou a trilogia de uma boa forma, mostrando ao mundo que o Cavaleiro das Trevas não precisa de ter super poderes para ser um dos melhores super-heróis de todos os tempos.


Nº 3

The Avengers

Eu coloquei este filme acima do The Dark Knight Rises por várias razões, mas uma delas foi por aquilo que a imagem do poster mostra: Os Vingadores, a equipa de super-heróis mais famosa de sempre. Eu gosto imenso de super-heróis (como já se pôde ver pelas minhas escolhas anteriores), por isso o meu entusiasmo quando soube da vinda desta magnífica película. Os filmes anteriores estavam a preparar, o trailer prometia, e o filme soube cumprir, excedendo as expectativas. The Avengers não é apenas um filme sobre super-heróis lutando contra as forças do mal: cada um dos heróis tem as suas próprias personalidades, os seus demónios interiores, e entenderem-se à primeira não é uma tarefa fácil. Mas lá conseguem esquecer as suas divergências, à medida que se apercebem que o que têm em comum é o mais importante, e se juntam para o confronto final, uma cena de batalha tão épica que acabou por saber a pouco. Para um fã de super-heróis, não ver este filme é um pecado.


Nº 2

The Hobbit: An Unexpected Journey
Apesar das falhas apontadas no post anterior, e apesar de termos dado uma classificação de 7,5 em 10, tenho de admitir que este filme ficou muito superior a todos os outros desta lista, e ainda de outros que não cheguei a ver em 2012. Sempre fui um grande fã de fantasia, e esse fascínio aumentou quando tomei conhecimento das obras de Tolkien e da épica demanda narrada em O Senhor dos Anéis. Por isso a minha grande expectativa quando fui ver este filme, pois quase uma década se passou desde o último filme da saga anterior. Pode não ter sido o filme perfeito, mas esteve muito acima de muitos outros. Para quem quiser saber mais sobre a nossa opinião acerca do filme, pode ler o post anterior e ficarão a saber o porquê deste filme ter chegado à posição em que chegou.


No entanto, apesar de este filme ter sido fenomenal, apenas chegou ao nº 2 deste Top. Pois houve um que este ano se tornou ainda melhor e ainda mais épico.

Nº 1

To Boldly Flee

Ok, eu confesso que fiz um pouco de batota nesta escolha, visto que To Boldly Flee não é um filme, mas uma mini-série de oito partes. Contudo, foi uma produção que visou celebrar o quarto aniversário do website thatguywiththeglasses.com, que em 2010 e 2011 lançou outros dois filmes (Kickassia e Suburban Knights), e este foi como o último de uma trilogia. Por isso, se virmos todas as partes de uma só vez, podemos considerá-lo como uma muito longa metragem. O que faz deste filme melhor que The Hobbit? A resposta é simples: junta tudo aquilo que mais gostamos e entrega-nos de uma forma hilariante e épica. Filmado com um orçamento muito baixo em comparação com as produções de Hollywood, To Boldly Flee conta a demanda espacial que o protagonista Nostalgia Critic faz na companhia de outros colaboradores do website, com o objectivo de descobrir o que aconteceu com Ma-Ti, que morreu no fim do filme anterior. Enquanto isso, ele vê-se perante uma ameaça em busca de vingança. Todo o filme é uma mixórdia de piadas e referências que conseguem pôr o espectador atento a toda a hora. A história é soberba e consegue envolver o vasto elenco de personagens, não deixando nenhuma de fora. A banda sonora é cativante e ajuda a prender o espectador ao ecrã. As referências envolvem um pouco de tudo aquilo que adoramos ou detestamos, desde Star Wars, Star Trek, Matrix, Cowboy Bebop, Judge Dredd, Robocop, entre outras. Sem dúvida um dos melhores filmes do ano, que prova que não é preciso um grande orçamento nem grandes cenários para se conseguir uma história sublime.



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O HOBBIT: Uma longa, LONGA viagem inesperada

Finalmente os autores deste blog fazem uma crítica em conjunto. Desta vez referente a algo cujo fascínio é mútuo, e por questões relacionadas a nostalgia de 2001 a 2003 graças à trilogia de filmes realizados por Peter Jackson, “O Senhor dos Anéis”. Não é de negar que a épica jornada do pequeno Frodo Baggins e Companhia pela Terra Média encantou-nos a nós a milhares de crianças (e adultos) pelo mundo fora. Por isso foi grande o entusiasmo quando após “O Regresso do Rei”, Jackson anunciou “O Hobbit”, fazendo-nos delirar de expectativa com a possibilidade de um dia voltarmos àquele maravilhoso mundo. No entanto a espera foi mais longa do que esperávamos e somente 9 anos depois é que esse desejo voltaria às salas de cinema.


Baseado no primeiro livro de JRR Tolkien, a história foca-se no tio de Frodo, Bilbo Baggins, que nos seus anos de juventude viveu uma aventura que o mudaria para sempre e que seria o prelúdio para o que se seguiria em “O Senhor dos Anéis”. Acompanhado por Gandalf o Cinzento, e por uma companhia de 13 anões, liderados por Thorin Escudo de Carvalho, o objectivo desta jornada tratava-se de recuperar o palácio e ouro que pertenciam aos antepassados de Thorin, que há muito tempo atrás lhes foram roubados pelo temível dragão Smaug. E assim começa o primeiro de três filmes já anunciados por Jackson.
Começando pelos aspectos que nos fizeram gostar desta experiência, há que afirmar que o filme está bastante fiel ao conteúdo do livro (e talvez até demasiado, tendo em conta a quantidade de coisas que foram sendo introduzidas ao longo da película). Os diálogos estão fiéis, e pontos importantes da obra estão muito bem retratados. Há um pouco mais de personalidade inserida nas personagens mais importantes, criando uma maior humanidade e a possibilidade de conflitualidade entre os aventureiros. Há quem veja nisso um grande problema, pois afasta-se um pouco da maneira de ser das personagens da obra, mas para nós, isso abriu-nos um caminho para um novo nível de complexidade que nos permitiu poder distinguir as personagens umas das outras. A tensão entre Bilbo e Thorin é bem presente ao longo do filme, contrastando o amor que o hobbit tem pelo conforto do seu lar com a vontade que o anão tem de recuperar o seu. Gandalf também está muito interessante, sendo fiel à sua contraparte da obra literária. É ele que auxilia os 13 anões na demanda, e aquele que dá um “empurrãozinho” ao Bilbo para que este saia de casa e conheça um mundo que este apenas julgava conhecer dos mapas e livros.
Todo o universo está ricamente preenchido, fazendo jus ao legado deixado pela trilogia anterior. As paisagens estão soberbas, variando fluidamente sempre que mudam de localização, desde prados e vales verdejantes até grutas negras e profundas. O Shire está belo como sempre, e Rivendell mantem-se majestosa e mágica. A nível paisagístico, a Terra Média não podia ter ficado melhor.
A banda sonora não é tão épica quanto à da trilogia original, mas consegue estar ao nível do exigido no filme. Cada música inserida encaixa-se como uma luva nas respectivas cenas, criando uma harmonia que nem todas as longas-metragens conseguem produzir. A música que os anões cantam em casa de Bilbo é maravilhosamente bem interpretada e prepara o espectador para mais de duas horas de pura aventura.
Contudo, nem tudo são rosas nesta adaptação cinematográfica. Apesar de bem conseguido, o filme tem algumas falhas que o tornam inferior à trilogia anterior. Uma delas é o excessivo número de efeitos por computador usados em personagens e animais. Quem viu a trilogia anterior sabe o quão bem estiveram os orcs retratados, graças a um excelente trabalho de maquilhagem. Contudo, aqui as criaturas receberam um tratamento diferente, sendo geradas por computador, o que mostra claramente um efeito de falsidade que não parece pertencer ao ambiente.
Apesar de termos referido a vasta variedade de ambientes, há-que dizer que nem todos os cenários são tão convincentes quanto parecem. Cenários abertos são fieis e bem retratados, mas cenários mais fechados (como a floresta onde acontece o encontro com os Trolls) parecem mesmo passar-se dentro de um estúdio, e não transmitem a sensação de acontecerem mesmo onde a história diz que acontecem.
Para quem leu "O Hobbit", sabe que três filmes é desnecessário. Mesmo dois filmes parecem demasiado, e essa é uma das partes negativas do filme. Apesar de querer abordar o máximo de material possível, Jackson arrisca-se a criar ambientes muito parados ou a desenvolver diálogos enfastiantes que pouco têm a ver com o enredo principal.
Algumas personagens de "O Senhor dos Anéis" aparecem também neste filme, destacando as presenças de Frodo, Galandriel e Saruman. Para sermos francos, não compreendemos porque Jackson se deu ao trabalho de voltar a chamar Elijah Wood, Cate Blanchett e Christopher Lee, visto que as suas presenças e impacto na história em pouco ou nada têm relevância nesta história.
Contudo, apesar das falhas presentes, o filme está muito bom. Muito divertido de ver e com personagens cativantes e bem retratadas, "The Hobbit: A Unexpected Journey" é a primeira parte de um grande regresso ao mundo fantástico criado por um dos maiores génios da literatura que há memória.

Nota final: 7,5 em 10

@Sara Sampaio
@Tiago Costa

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Paranormal Activity 4

Eu adoro filmes de terror, mais propriamente aqueles que brincam com os nossos medos interiores e nos aterrorizam psicologicamente. Para mim, quanto menos se souber do "perigo" ou do "monstro" do filme, mais amedrontador é. Então se não virmos o que nos atormenta, mais aterrorizante se torna. É o que se passa com "Paranormal Activity".
Já ouvi dezenas e dezenas de pessoas dizerem mal desta série de filmes porque achavam que nada se passava, ou nada era explicado, ou porque não viam o que causava todos aqueles acontecimentos paranormais. Eu, por outro lado, ADORO "Paranormal Activity". São todos os defeitos que as outras pessoas apontam que me fazem gostar tanto destes filmes. É o facto de as pessoas quererem ver alguma coisa num filme de terror que as faz aborrecerem-se. Elas querem ver um rosto, uma criatura, e não se deixam mergulhar no ambiente assustador que estes filmes tentam proporcionar.
A todas as pessoas que não gostam de "Paranormal Activity", deixo-vos duas situações para imaginarem:
1ª - Vocês fazem parte de um grupo de amigos que decide explorar uma casa que muitos dizem ser assombrada. Entram a meio da noite, percorrem corredores sombrios e silenciosos, a madeira velha a ranger a cada passo. Subitamente, ouvem um rugido, vindo de uma sala mais à frente. Vocês entram e deparam-se com o cheiro pútrido de uma dezena de corpos já tão estraçalhados que é impossível distinguir-lhes o género. E no fundo da sala está uma criatura asquerosa e verruguenta, de cabelos compridos e sujos, que escondem um rosto assassino e psicótico, enquanto leva à boca aquilo que outrora fora um braço e abocanha com sofreguidão um pedaço de carne mole e já arroxeada. A criatura larga o nojento manjar assim que vos vê, e ergue-se com inesperada perícia, dirigindo-se a vocês com a insanidade de um canibal esfomeado. Vocês fogem, perdem-se uns dos outros, escondem-se o melhor que puderem, mas ele consegue apanhar uns quantos. Apesar das baixas, os restantes conseguem encontrar força de vontade para resistir à criatura, e após uma sangrenta luta, conseguem subjugá-la e fugir da casa.
2ª - Vocês fazem parte de um grupo de amigos que decide explorar uma casa que muitos dizem ser assombrada. Entram a meio da noite, e mal percorrem alguns corredores, ruídos estranhos fazem-se ouvir de todas as partes da casa. O grupo explora, acabando por se deparar com eventos sobrenaturais: portas batem, retratos são atirados para o outro lado dos corredores por forças invisíveis, pequenos objectos são-vos arremessados. Não sabem quem ou o que vos está a fazer isto. Aterrorizados, procuram a saída, acabando por vê-la encerrar-se dura e sonoramente à vossa frente, como que empurrada por uma corrente de ar que ninguém sentia. De repente, um de vós é arrastado pela mesma força invisível e levado para uma das zonas mais escuras da casa, para nunca mais reaparecer. Enquanto procuram uma forma de escapar, outros sofrem o mesmo destino. Por fim, os poucos que conseguem encontrar uma saída escapam-se da casa para nunca mais voltar.
Faço-vos a pergunta: qual das duas situações é a mais aterrorizante? Se responderem a primeira é porque obviamente não têm noção do quão amedrontador é uma casa assombrada.
O que faz "Paranormal Activity" ser um filme tão bom é exactamente o facto de não sabermos com o que estamos a lidar. Quando vemos um rosto, um corpo sólido, algo identificável, podemos sempre combatê-lo. Por mais imprevisíveis que Jason Voorhees ou Michael Myers sejam, o que é certo é que eles são derrotados em todos os filmes. E porquê? Simplesmente pelo facto de serem vulneráveis, de terem as suas fraquezas, de serem susceptíveis a sofrer contra-ataques. E quando isso acontece, todo o factor terror perde-se completamente. Quanto menos soubermos acerca de algo que nos ameaça, mais amedrontadora a situação fica, porque não sabemos como reagir, não sabemos como combatê-la, não sabemos sequer para onde fugir. E "Paranormal Activity" é a derradeira experiência do medo porque não sabemos o que estamos a enfrentar.
Os filmes foram concebidos na já bem conhecida forma da perspectiva de uma câmara, ao estilo "The Blair Witch Project". O primeiro filme relata os acontecimentos paranormais que um casal de namorados presencia em sua casa. Todas as noites, algo é captado na câmara de filmar instalada no quarto de ambos, e durante o dia, ambos analisam o sucedido. Não vou contar como o filme acaba, mas posso dizer que para além do final que levou à continuação desta série de filmes, existem ainda mais dois finais alternativos que teriam excluído de uma vez por todas as hipóteses de existirem mais filmes.
O segundo filme é uma prequela do primeiro, focando-se numa família que decide colocar um sistema de vigilância em casa após uma suspeita de roubo. E aqui está uma das coisas mais interessantes acerca dos filmes: a inovação. Enquanto no primeiro filme assistíamos a tudo através de uma única câmara, neste temos o direito de ver o que se passa na maior parte das divisões da casa. Quanto a história e performance dos actores, devo dizer que, na minha opinião, é o que faz este filme o melhor da série até agora. As melhores personagens são, para mim, um bebé e uma cadela, somente pelo facto de conseguirem reagir a absolutamente nada (claro que no universo do filme, eles sabem que há ali uma presença do outro mundo, mas transmitir essa ideia num universo em que nada disso existe e conseguir bons resultados é um trabalho excelente). O filme acaba complementando o final do primeiro, deixando espaço para muitas dúvidas que viriam a ser respondidas no terceiro filme.
O terceiro filme é uma prequela da prequela, desta vez assistindo às actividades paranormais que aconteciam quando ambas as personagens principais dos filmes anteriores eram ainda crianças. Pretendia-se chegar às origens de tudo o que lhes estava a acontecer, mas acontece que apenas algumas perguntas foram respondidas. A única inovação que aconteceu foi quando o padrasto das meninas desmontou uma ventoinha e instalou uma câmara de forma a aproveitar-se do efeito "vai-e-vem" e captar toda a cozinha. Muito se esperava daquela inovação e muito contente fiquei por ver que a aproveitaram ao máximo.
Sabendo que o filme levantava muitas questões, toda a gente já estava à espera de uma nova prequela, indo ainda mais para trás, de forma a explicar de uma vez por todas as origens de tudo o que se passava. E eis que chegou "Paranormal Activity 4".


Este filme surpreendeu-me, devo dizê-lo, mas pela negativa. Contrariamente ao que se estava à espera, não se trata de uma prequela, mas sim uma sequela dos eventos dos dois primeiros filmes. Desta vez a história passa-se em 2011, e a família é outra, sem qualquer relação com os familiares dos filmes anteriores. Contudo, por alguma razão, começam a experienciar actividades paranormais em casa, o que os leva a instalar câmaras em casa. E aqui está um dos pontos negativos do filme: desta vez não há câmaras envolvidas, mas sim webcams. Aquela família tem pelo menos quatro computadores portáteis da Apple, incrivelmente bons e com uma qualidade de imagem excelente e que ficam a gravar o que acontece em casa durante dias inteiros. Não há computadores assim tão bons neste mundo, muito menos com capacidade para guardar 24 horas de filmagens em alta qualidade. Só isto torna a situação mais irrealista do que a própria actividade paranormal.
A história não está má, mas vai contra alguns factos que acontecem no segundo filme, levando a um twist tão ilógico que nem sei como não consideraram reescrever o enredo. Basicamente, o que posso dizer é que a razão pela qual esta família é atacada pelo demónio dos filmes anteriores faz com que TODO o enredo do segundo filme seja completamente inútil.
Não podiam faltar as inovações. Desta vez, para além das conversações que o casal Alex e Ben têm pela webcam, eles aproveitam o sensor do Kinect para capturar acontecimentos paranormais. De vez em quando lá se descobrem umas sombras, mas os maiores sustos não vêm daí. Foi no entanto uma inovação interessante e usada de forma cuidada.
Mais uma vez o Oscar da melhor performance vai para o pequeno Robbie, o estranho filho da nova vizinha que se mudou para o bairro. Ele age como o pequeno Damien de The Omen, excepto que não tão inocente. Sabemos logo desde o início que ele é mau e vai tentar corromper aquela família, não há como enganar. Contudo, tem sempre de haver gente estúpida ao ponto de não ver as evidências, e os pais da Alex e do Wyatt são os únicos que não as vêm, agindo de forma estúpida e desculpando o rapaz com razões estapafúrdias. Quanto ao resto das personagens, não estão más, mas os diálogos têm tantas e tão estúpidas piadas que acabam por tirar o ambiente que o filme devia transmitir.
Há momentos que prometiam bons sustos, e o filme não os soube aproveitar. Há uma cena que envolve o desaparecimento de uma faca mesmo em frente à câmara. A partir daí toda a gente se perguntava quando é que faca iria ressurgir, se ia ser usada para matar alguém, se iria ser empunhada por Robbie ou Wyatt... E acabaram por desperdiçar uma excelente oportunidade num susto, quando a faca cai convenientemente em frente à câmara.
Pela lógica dos factos, este filme teria acabado bem mais cedo do que acabou. E quem viu o filme sabe que o final foi o mais abrupto de toda a série. Acontece que, como nos filmes anteriores, pessoas morrem, e numa história verdadeira, as câmaras ter-se-iam logo desligado. Contudo, Alex enfrenta o desconhecido no fim do filme, tomando conhecimento das mortes que aconteceram, mas nunca largando a câmara (neste caso o telemóvel), nem quando está em perigo de morte mais que certa. Compreendo que ela quisesse documentar os acontecimentos, mas a partir do momento em que pessoas próximas são mortas, continuar as filmagens torna-se num acto inútil.
Para uma série de filmes que tinha tudo para ser um sucesso, "Paranormal Activity 4" foi uma desilusão de todo o tamanho. Estava disposto a considerá-lo um dos melhores filmes de 2012, mas após tê-lo visualizado na passada 5ª feira, concluí que desta vez este filme merecia estar no corredor dos piores. Para quem o quiser ver, recomendo já ter visto os anteriores antes, ou então não vai entender as inconsistências que este filme trouxe. Agora é só esperar pelo 5º, que (espero bem que não) vai levantar ainda mais questões, com o objectivo de fazer mais dinhe... digo, filmes. Só esperar para ver...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Arbitrage

Nunca fui um grande fã de drama, apesar de apreciar quase todo o tipo de género cinematográfico. No entanto, se tiver de escolher, opto sempre por um bom filme de acção, aventura ou terror. Sei que com isso posso estar a perder grandes filmes com boas histórias ou personagens, mas para mim o que define um bom filme é a reacção que nos provoca enquanto o vemos. Por vezes não conseguimos entender um filme à primeira, e pode ser necessária uma breve reflexão ou uma conversa com o grupo que nos acompanhou durante o filme para tentar perceber o que afinal acabou por acontecer. Foi o que aconteceu no fim de tarde de Sábado, na sala 2 de cinema do Dolce Vita de Vila Real quando eu, a minha namorada e o primo vimos o filme "Arbitrage" (A Fraude), com Richard Gere.



Mais uma vez digo que se tivesse outra alternativa teria escolhido outro filme (e as minhas escolhas cairiam entre o "Looper" e o "Premium Rush", conhecido aqui como "Encomenda Armadilhada"), mas questões de horário levaram-nos a seguir o rumo deste drama, tendo-nos deparado com uma pequena sala de cinema e um total de menos de dez pessoas, incluindo nós.
Para quem só vai ao cinema ver filmes de "tiros" e explosões, este filme não é recomendável. Para quem está à espera de grandes cenas de acção, ou de um clímax cheio de emoção, pode esquecer este filme. Se, pelo contrário, uma história envolvente é tudo o que é preciso, então este filme é recomendável. Não obrigatório, mas recomendável.
O meu problema em explicar este filme vem do facto de não ser uma pessoa de negócios, nem mesmo perceber algumas das coisas que foram acontecendo ao longo do enredo. O filme não começa pelo princípio, uma vez que ficamos rapidamente a saber que a personagem Robert Miller (interpretada por Richard Gere) é um homem de negócios bem sucedido que, devido a um mau investimento pode vir a ser acusado de fraude, e então faz de tudo para encobrir tal acontecimento. Por um lado, é um homem visto como um filantropo, um homem de bem, com uma grande família, amado e respeitado por todos. Por outro, este aspirante a " Sr. Perfeito" esconde uma amante (interpretada por Laetitia Casta) e o mau investimento que pode pôr a sua família em risco de perder tudo.
Tão depressa vemos esta personagem na mó de cima, como o vemos a deteriorar-se ao longo do desenrolar do enredo. Enquanto faziam uma escapadela a meio da noite, Robert e a amante Julie têm um grave acidente de carro, que acaba por matá-la. Robert fica ferido, mas esse torna-se no menor dos seus problemas quando o carro subitamente explode, carbonizando o corpo de Julie. Desesperado, o milionário entra em contacto com Jimmy Grant, o filho de um falecido amigo (interpretado por Nate Parker) e pede-lhe ajuda para escapar da cena.
Claro que Robert não tarda a ser interrogado pelo detective Bryer (interpretado por Tim Roth) e constituído principal suspeito no caso da morte de Julie. Com tudo isto, o pobre do Jimmy é arrastado para uma rede de mentiras que podem comprometer o seu futuro, e a filha de Robert, Brooke Miller (interpretada por Brit Marling) acaba por descobrir acerca dos esquemas do pai. Durante o filme vemos Robert afundar-se nas consequências dos seus actos, e arriscando-se a perder tudo o que tem.
Não nego que é necessário ter alguns conhecimentos acerca do mundo dos negócios e estar muito atento aos acontecimentos que se vão desenrolando e às conversas entre as personagens. O filme acaba de uma maneira tão abrupta que ninguém está à espera, e espectadores mais desatentos irão ficar com uma cara de "Mas então acaba assim?" Mas se o espectador estiver atento vai perceber que o filme acaba respondendo a todas as perguntas, ficando sem motivos para continuar.
Como um filme dramático, resulta bem. Tem um ritmo bom, as personagens possuem personalidades distintas e o enredo acaba por ser envolvente, levando-nos a querer saber do futuro das personagens. Não é o melhor filme de 2012, mas decerto uma boa aposta para quem gosta do género e quer passar um bom bocado.